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Senador Flávio Bolsonaro pede que o TSE suspenda divulgação de pesquisa que mostra sua queda nas intenções de voto para a Presidência da República

Levantamento da Atlas/Bloomberg aponta recuo de 6 pontos de senador depois do caso "Dark Horse". (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a suspensão da divulgação de uma pesquisa Atlas/Bloomberg que mostra queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador em cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com isso, segundo o levantamento divulgado nessa terça-feira (19), o petista venceria o filho de Jair Bolsonaro (PL) por um placar de 48,9% a 41,8%.

A pré-campanha afirma que o questionário da pesquisa teria sido “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”. O bolsonarista sustenta ainda que a disposição das perguntas e temas, com “uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados”.

Em nota, a Atlas disse que está tranquila diante dos questionamentos e que vai colaborar com o TSE. “Tentativas de desqualificar pesquisas por vias jurídicas, sem que haja fundamento técnico demonstrável, representam um risco ao debate público informado e à liberdade de imprensa”, afirmou o instituto.

A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu 5.032 eleitores do dia 13, quando os diálogos foram revelados pelo site Intercept Brasil, ao dia 18.

De acordo com o questionário disponibilizado pela Atlas ao TSE, o conteúdo de um áudio de Flávio a Vorcaro foi exibido aos entrevistados, mas como último item da pesquisa. Os eleitores que colaboraram para o levantamento foram submetidos a 48 perguntas, as primeiras delas sobre a intenção de voto.

Na última questão, os entrevistados analisaram um vídeo com o áudio e podiam arrastar para a direita quando estivessem “avaliando de forma mais positiva” e para esquerda quando estivessem “avaliando de forma mais negativa o conteúdo”. A peça tinha imagens de Flávio e Vorcaro, para ilustrar o diálogo.

“A pesquisa revela precedente manipulativo grave e deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação”, afirmou a pré-campanha de Flávio.

O grupo argumenta que o levantamento não apenas mediu a opinião dos eleitores, mas apresentou “estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral”.

A representação também pede a apuração de possível prática de crime eleitoral.

Segundo auxiliares de Flávio, com base na opinião de especialistas, foi avaliado pela pré-campanha que a pesquisa tem vícios graves e, por isso, houve a decisão de pedir a impugnação – iniciativa que tende a ser incomum, de acordo com eles.

Em resposta às acusações apresentadas pela pré-campanha de Flávio, a Atlas afirmou que o teste de áudio e o questionário de pesquisa são instrumentos completamente distintos, realizados em momentos e interfaces separadas. “O teste de áudio foi aplicado após a conclusão e submissão do questionário pelo respondente”, afirmou o instituto em nota.

“Nenhum respondente teve acesso ao conteúdo do áudio antes ou durante o preenchimento da pesquisa, tampouco pôde alterar suas respostas após a sua submissão”, afirma a Atlas. “Não há, portanto, qualquer mecanismo de contaminação entre os dois instrumentos, e os resultados da pesquisa não sofreram nenhum tipo de interferência.”

A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-06939/2026 e tem nível de confiança de 95%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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