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Senador petista Jaques Wagner admite elo com ex-sócio do Banco Master e faz críticas a “patacoada” da Polícia Federal

Em entrevista, Jaques Wagner diz desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

Após deixar a liderança do governo no Senado, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT-BA) afirmou à Folha de S.Paulo que reclamou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da atuação da Polícia Federal (PF) na operação da qual foi alvo, particularmente pela divulgação de foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília.

“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava-Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, afirma.

Para ele, isso violou a orientação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) – que determinou que a busca e apreensão ocorresse “de forma discreta” pelo “caráter sigiloso da investigação”.

Na entrevista, concedida em seu escritório político na Bahia, Wagner afirmou desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários. E disse que é ridículo supor que o recebimento de dois convites para um show configure favorecimento. “Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?”

Ele revelou que os valores pagos pelo Banco Master para a empresa de sua nora são maiores do que os R$ 3,5 milhões divulgados e defendeu que o dinheiro tem origem legal. Também admitiu pegar carona com empresários, mas negou que tenham colocado um avião à sua disposição.

“Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente. Aí o cara diz para mim: ‘terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona?’ Eu vou, qual o problema? Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca.”

1) O sr. resistia à ideia de afastamento do cargo para que não fosse interpretado como confissão de culpa. O que o presidente disse que o fez mudar de opinião?

Era importante ter uma conversa pessoal com o presidente. Quando ele me ligou, no dia do episódio, foi primeiro para se solidarizar e, depois, perguntar se era bom continuar ou não. Eu disse que minha cabeça era não entregar [o cargo], mas ontem [quarta] fui lá conversar. Ele disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar.

2) Há aliados que dizem que o sr. levou a crise para dentro do Palácio.

Quem faz essa crítica ou é ingênuo ou não está entendendo o que está acontecendo. Era mais próprio falar que a Polícia Federal tenta construir uma narrativa para envolver o PT. Não estou dizendo que foi feito por isso, não. Qual é a narrativa do Flávio Bolsonaro e do PL? “Tudo começou na Bahia.” Nada começou na Bahia. Quando nós privatizamos a Cesta do Povo, em 2018, o cartão [de compras do programa] foi junto. Não existia [Daniel] Vorcaro, não existia Master. O banco virou sócio do Augusto Lima em 2019, se não me engano.

3) Os petistas estão comprando o discurso do PL?

O cara [Flávio] pediu R$ 140 milhões [R$ 134 milhões para o filme ‘Dark Horse’]. Eu não pedi uma banda de conto.

4) O sr. diz que a PF está construindo uma narrativa, mas o diretor-geral foi escolhido pelo Lula. Como vê a atuação de Andrei Rodrigues?

Ele é quem tem que responder. A ordem do André Mendonça fala explicitamente para não ter fotografias. Eles foram ao quarto de hotel onde eu moro, botaram lá em cima da cama [notas de dólares e euros] com o escudinho [da PF] e fotografaram. Estão desrespeitando ordem de juiz e reinventando a Lava-Jato. Quem tem que saber se abre ou não processo administrativo é o Andrei, não sou eu.

5) O sr. conversou com o presidente Lula sobre isso?

Falei. “Estão tentando fazer uma narrativa para botar no meu colo algo que não existe.” Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram. Eu disse para ele [Lula] que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização. Aí, quem tem que cuidar disso é o ministro da Justiça, o chefe da Polícia Federal ou o próprio ministro André Mendonça. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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