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Senadora afirma que o Brasil pode sofrer mais retaliações dos Estados Unidos em razão do julgamento de Bolsonaro

Senadora afirma que chance diminuiu após decisão do PP pela neutralidade, mas diz que negociações ainda podem mudar o cenário. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) diz temer novas sanções dos Estados Unidos contra o Brasil devido ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a senadora, que foi ministra no governo de Bolsonaro, essa mensagem ficou clara para a comitiva parlamentar que foi aos Estados Unidos em julho para se reunir com congressistas e autoridades com acesso à Casa Branca.

Tereza afirma que Bolsonaro deve ter amplo direito de defesa e diz que o grupo ouviu, durante a viagem, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se vê no lugar do brasileiro.

“Podemos ter uma escalada neste primeiro momento de algumas retaliações vindo dos Estados Unidos, foi o que a gente ouviu lá. A gente achava que a parte política existia, mas que não era tão forte e tão ligada à parte comercial, mas ela é. Foi isso que a gente ouviu de vários interlocutores que têm acesso à Casa Branca”, afirma.

“Por onde nós conversamos, diziam o seguinte: que o presidente Trump se vê na mesma condição em que hoje está o presidente Bolsonaro, de perseguido. Ele se enxerga nesta condição e ele colocou essa imposição política.”

Tereza defende a posição de independência das instituições brasileiras perante as imposições feitas por Trump, mas avalia que a “questão política” pode impactar, por exemplo, na lista de produtos excluídos pelos Estados Unidos da tarifa extra de 50%.

Ela direciona a responsabilidade pelo tarifaço ao governo Lula (PT), quem acusa de falta de diálogo com os Estados Unidos, mas estende a reprovação ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Bolsonaro.

“Eu não faria isso. Eu, no lugar dele. Ele é filho, ele tem as razões dele, enfim, os métodos dele. Eu não faria isso. Eu jogo pelo Brasil”, afirma.

Tereza diz que é preciso esperar o desfecho do julgamento de Bolsonaro para definir o candidato da direita para as eleições de 2026.

A senadora cita os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), como possíveis nomes, mas cobra deles um plano político para o Brasil.

Tereza afirma que “estaria sendo falsa” se dissesse que não gostaria de ser vice-presidente do País, mas diz que colocar essa questão antes de definir o candidato é como “colocar a carroça na frente dos burros”.

“Dizer que eu não gostaria não é verdade. Eu estaria aqui sendo falsa. Mas eu gostaria de ser vice de quem? Quem é o candidato? Eu nunca soube que tinha eleição para vice. Tem eleição para presidente”, diz.

“Eu acho que os nomes que estão postos são muito bons. É questão de escolher e saber o mais viável e que tem o melhor projeto para o Brasil. Acho que quem vier tem que trazer uma proposta robusta para esse país do caminho que a gente quer dar a ele.”

A senadora avalia que a melhora de popularidade de Lula com o discurso de defesa da soberania nacional pode ser rapidamente revertida se as sanções resultarem em demissões em massa por parte dos setores afetados. Neste caso, diz, a culpa recairá principalmente ao atual presidente.

“Ele deu uma levantada aí com esse problema, falando sobre soberania. Mas a gente tem que prestar muita atenção, porque isso pode ser um voo de galinha, um voo curto. O que acontece se, amanhã, começarem a fechar empresas?”, questiona.

“O brasileiro pode culpar os dois (Lula e Bolsonaro), mas quem está à frente do Executivo é o presidente Lula. É ele que tem as rédeas para fazer essa negociação.”

Tereza defende que o partido dela, o PP, deixe o governo Lula e entregue o Ministério do Esporte – hoje sob o comando de André Fufuca – e a Caixa Econômica Federal, controlada pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (AL).

“Eu acho que a gente precisa começar a colocar as coisas nos seus devidos lugares. Quem é oposição é oposição mesmo, quem é da base é da base. O eleitor precisa saber quem nós somos”, diz ela sobre o partido. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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