Randolfe Rodrigues e Fabiano Contarato, ambos senadores da Rede, e mais o advogado Ruben Bemerguy protocolaram, na Justiça Federal de São Paulo, uma ação popular pedindo que a Justiça determine que o presidente Jair Bolsonaro se abstenha de promover ou participar, de qualquer forma, de atos em que haja aglomeração de pessoas durante a pandemia da Covid-19.
Os senadores propõem multa pessoal no valor de R$ 1 milhão para o descumprimento. Os valores das multas serão destinados ao Ministério da Saúde.
Aglomerações
Crítico às medidas de distanciamento social recomendadas por cientistas e entidades de saúde, como a Organização Mundial da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro, frequentemente, vem participando de atos antidemocráticos que causam aglomeração de pessoas e também fazendo visitações a estabelecimentos comerciais.
O último ato que contou com a presença de Bolsonaro foi em frente à rampa do Palácio do Planalto, no último domingo (3).
Na ocasião, os manifestantes pediram intervenção militar e criticaram o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ministros do Supremo Tribunal Federal e o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro – que acusa o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal para proteger familiares.
Em declaração transmitida por live em rede social, Bolsonaro afirmou: “Temos as Forças Armadas ao lado do povo, pela lei, pela ordem, pela democracia, pela liberdade”.
“Nós queremos o melhor para o nosso País. Queremos a independência verdadeira dos três poderes, e não apenas uma letra da Constituição, não queremos isso. Chega de interferência. Não vamos admitir mais interferência. Acabou a paciência. Vamos levar esse Brasil para frente. Acredito no povo brasileiro e nós todos acreditamos no Brasil.”
Ao final, o presidente disse: “Peço a Deus que não tenhamos problemas nessa semana. Porque chegamos no limite, não tem mais conversa. Daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição.”
Sem máscara, Bolsonaro levou a filha Laura, de 9 anos, para o Palácio do Planalto, de onde acenou para manifestantes que se aglomeravam em frente ao prédio. O presidente não foi à grade do Planalto, mas liberou a entrada de participantes do ato, que subiram a rampa e estenderam uma bandeira do Brasil.
