De acordo com a AccuWeather, uma das principais empresas de previsão do tempo dos Estados Unidos, a sensação térmica no estádio de Nova York/New Jersey pode chegar a 39°C no horário do jogo entre Brasil e Noruega no domingo (5), às 17h (de Brasília).
A previsão de tempo para a região do estádio será de 34°C, mas com sensação térmica de aproximadamente 39°C, segundo a AccuWeather. Mesmo na sombra, a sensação deve ficar em torno de 37°C. A umidade prevista é de 59%, o que aumenta a sensação de abafamento.
A previsão também indica 55% de chance de chuva, com possibilidade de uma tempestade localizada, nebulosidade alta e ventos de cerca de 13 km/h.
A AccuWeather prevê que Nova York pode registrar nesta semana as temperaturas mais altas desde 2013.
O clima escaldante é explicado pela chegada de uma forte cúpula de calor (“heat dome”, em inglês) no centro e na costa leste dos Estados Unidos, assim como em partes do Canadá.
A Cúpula de Calor funciona como uma panela de pressão: uma grande área de alta pressão prende o calor e a umidade, podendo provocar temperaturas perigosamente altas.
Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA, a sensação térmica pode chegar a cerca de 40°C a 46°C. Este é um dos períodos do ano com mais horas de claridade na cidade, com o sol se pondo apenas por volta das 20h30.
Apesar de o solstício de verão já ter passado (21 de junho), os dias continuam muito longos no início de julho.
Com as temperaturas altas até tarde, mesmo os jogos disputados à noite podem ser afetados.
Sem ar-condicionado
Diferentemente dos estádios de Atlanta, Dallas e Houston, que têm teto retrátil e climatização, em New Jersey jogadores e torcedores ficam expostos ao calor.
Em dias de muito calor, o estádio de New Jersey disponibiliza espaços de alívio com umidificadores e tendas com jatos de água (névoa) para refrescar os torcedores. Nas laterais do campo, foram instalados aparelhos de ar-condicionado portáteis, mas com o objetivo de preservar o gramado natural.
A proibição da Fifa de levar garrafas de água, junto às longas filas para entrar nos estádios ou em barracas de bebidas e comidas provocou reações negativas de prefeitos em relação à segurança dos espectadores no calor escaldante.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, já havia feito alertas antes do início da Copa, sobre o calor extremo afirmando que a temperatura poderia chegar a 38°C. Ele informou que a cidade estava ativando centenas de centros de resfriamento públicos e gratuitos nos cinco distritos e recomendou aos moradores que bebessem água, usassem protetor solar e verificassem a situação de vizinhos vulneráveis.
Há críticas da associação mundial dos jogadores (FIFPRO) porque diversas partidas já foram disputadas em condições consideradas perigosas de calor e umidade.
Uma análise feita pelo jornal britânico The Guardian concluiu que dos 72 jogos da fase de grupos, que terminou no sábado, nove partidas foram disputadas em condições de calor extremo, que a Fifpro já havia declarado serem motivo para adiamento ou cancelamento dos jogos.
A FIFA implementou pausas obrigatórias de três minutos para hidratação aos 22 minutos de cada tempo em todas as partidas.
Habituados ao calor
O senso comum pode sugerir que os jogadores brasileiros, nascidos em um país tropical, estariam mais adaptados ao calor do que os noruegueses, acostumados às temperaturas nórdicas.
Mas, na prática, boa parte dos atletas das duas seleções atua em clubes europeus e segue protocolos semelhantes de preparação física e hidratação. Muitos deles jogam na Inglaterra, Espanha e Itália, países que frequentemente enfrentam ondas de calor.
A Noruega tem feito testes de urina diários em seus jogadores para avaliar o nível de hidratação, segundo o lateral David Moller disse à emissora NRK.
A CBF informou à CNN que não adotará medidas específicas para o duelo de domingo e irá manter os procedimentos normalmente adotados em situações de calor extremo.
Entre eles estão: uso de “ice vests”, coletes com gelo, para refrescar o tórax dos jogadores; toalhas molhadas para a nuca e a cabeça durante os intervalos; e o reforço no cuidado com a hidratação e alimentação dos atletas, com estratégias desenvolvidas pela nutróloga Andreia Picanço.
Em março, os jogadores passaram por testes de suor para identificar quais deles tinham uma maior perda de sais minerais durante os jogos e receberam orientações personalizadas de hidratação. A medida foi coordenada em parceria com a Gatorade, que patrocina o time brasileiro.
A CBF ressalta que todos os procedimentos citados já haviam sido preparados e planejados antes do Mundial, uma vez que as condições de calor intenso já eram esperadas. As informações são da CNN.
