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Servidores doaram R$ 2 milhões para campanhas eleitorais

Do total de servidores que fizeram contribuições, 341 trabalham na Câmara dos Deputados e 103 no Senado. (Foto: Leonardo Sá/Agência Senado)

Um total de 444 funcionários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal doou cerca de R$ 2 milhões para campanhas eleitorais em 2026, segundo levantamento do Valor Econômico com base nos registros de prestação de contas à Justiça Eleitoral.

Do total de servidores que fizeram contribuições, 341 trabalham na Câmara dos Deputados e 103 no Senado. As doações foram destinadas aos próprios parlamentares assessorados pelos funcionários ou a outros candidatos, em muitos casos integrantes do mesmo grupo político.

Dos aproximadamente R$ 2 milhões registrados, cerca de R$ 724 mil correspondem a doações financeiras, realizadas por meio de transferências bancárias ou Pix. Outros R$ 1,3 milhão foram contabilizados como doações estimadas em dinheiro, referentes principalmente à prestação de serviços voluntários para as campanhas.

Quando são consideradas apenas as contribuições feitas aos próprios gabinetes em que os servidores trabalham, o levantamento identificou 241 funcionários envolvidos. Nesse grupo, as doações somaram aproximadamente R$ 1 milhão e beneficiaram campanhas de 101 candidatos que já exercem mandato.

A legislação eleitoral permite que servidores públicos façam doações para campanhas, desde que sejam observadas as regras estabelecidas para pessoas físicas. A contribuição precisa ser voluntária e respeitar os limites previstos na legislação eleitoral.

No caso das doações financeiras, pessoas físicas podem contribuir com até 10% dos rendimentos brutos obtidos no ano anterior à eleição. Já as doações estimáveis em dinheiro, como serviços prestados gratuitamente, estão submetidas a regras e limites específicos.

Um dos casos identificados envolve um servidor do Senado que trabalha no gabinete do senador Plínio Valério (PSDB-AM), candidato à reeleição. Segundo registros consultados pela imprensa, ele realizou uma contribuição de R$ 40 mil por Pix e declarou outros R$ 15 mil em serviços voluntários.

A situação chamou atenção porque o valor da contribuição financeira precisa ser analisado em relação aos rendimentos do doador e às regras estabelecidas pela legislação eleitoral. O registro da doação, por si só, não significa irregularidade.

A possibilidade de servidores contribuírem para campanhas é diferente de eventual utilização do cargo ou da estrutura pública para favorecer candidatos. A legislação proíbe condutas como o uso de bens públicos em benefício eleitoral e estabelece restrições para evitar pressão sobre servidores ou outras pessoas vinculadas à administração.

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