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Sessenta pessoas são detidas após invasão de aeroporto para “cerco” a israelenses e judeus na Rússia

A Autoridade de Aviação Civil da Rússia anunciou o fechamento temporário do aeroporto até 6 de novembro. (Foto: Reprodução)

Sessenta pessoas foram detidas em um aeroporto em Makhachkala, capital da república russa do Daguestão, de maioria muçulmana, depois de invadirem o terminal para procurar passageiros israelenses em um voo proveniente de Israel, informou a polícia nessa segunda-feira. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou a Ucrânia de ter desempenhado um papel “chave” no ataque.

A multidão invadiu o aeroporto no domingo, em meio às tensões causadas no mundo pelos bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza, em retaliação ao ataque do Hamas no sul de Israel, em 7 de outubro. Durante a evacuação do aeroporto, nove policiais ficaram feridos, dos quais dois foram hospitalizados, informou o Ministério do Interior russo.

De acordo com o serviço de imprensa do aeroporto, “mais de 150 participantes dos tumultos foram identificados, e 60 foram detidos”, acrescentando que “o aeroporto está sob o controle das autoridades”.

Os confrontos foram “o resultado de uma provocação planejada e dirigida do exterior”, na qual Kiev desempenhou um papel “chave e direto”, disse a porta-voz do ministério, Maria Zakharova, em um comunicado divulgado nessa segunda.

O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, já havia indicado que os acontecimentos foram “em grande parte resultado de ingerência externa”, sem especificar a origem. Segundo Peskov, com as “imagens na televisão dos horrores que ocorrem na Faixa de Gaza”, é “muito fácil para os inimigos se aproveitarem delas e provocarem a situação”.

“O que aconteceu foi uma tentativa de semear a discórdia entre muçulmanos e judeus na Rússia, que mantêm boas relações de amizade e cooperação durante séculos”, declarou o patriarca Kirill, chefe da Igreja Ortodoxa russa e um ferrenho defensor de Putin, também em nota.

Vídeos divulgados nas redes sociais e na mídia russa mostraram um grupo de pessoas em veículos que saíam do local, arrombando portas do terminal e cercando um avião na pista. Um dos manifestantes segurava uma placa que dizia “assassinos de crianças não têm lugar no Daguestão”.

Durante os incidentes, Israel apelou à Rússia a proteger “todos os cidadãos israelenses e todos os judeus”. Os Estados Unidos condenaram as “manifestações antissemitas” no Daguestão, segundo Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

Serguei Melikov, presidente do Daguestão, afirmou nesta segunda-feira que os distúrbios foram organizados em território ucraniano, em pleno conflito armado entre Kiev e Moscou.

“Os iniciadores desta ação são evidentemente nossos inimigos, os que a organizaram no território ucraniano”, disse Melikov, segundo a agência Ria-Novosti.

Melikov acusou, em particular, um canal de Telegram crítico às autoridades locais, “Utro Daguestão”, liderado por “traidores” da Ucrânia. O canal, que tem quase 60 mil seguidores, divulgou uma convocação de protesto no aeroporto de Makhachkala no domingo à noite para impedir a chegada de passageiros “indesejáveis” no voo da Red Wings procedente de Tel Aviv.

A agência de notícias RIA Novosti reportou no domingo que um centro judaico foi incendiado em Nalchik, a capital de Kabardia-Balkaria, outra república do Cáucaso Norte.

Invasão a aeroporto

Dezenas de manifestantes invadiram o aeroporto de Makhachkala após o anúncio de que um avião procedente de Tel Aviv, em Israel, estava chegando. Os distúrbios – que ocorreram em meio à intensificação da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, em sua guerra contra o grupo extremista Hamas – logo foram debelados pelas forças de segurança locais, mas levaram a Autoridade de Aviação Civil da Rússia a anunciar o fechamento temporário do aeroporto, até 6 de novembro.

Segundo os veículos de comunicação Izvetsia e RT, a multidão ocupou o teto do terminal e invadiu a pista do aeroporto da cidade do Cáucaso. Vídeos no Telegram mostram dezenas de pessoas forçando a entrada do aeroporto e tentando controlar os veículos que deixavam o local. Outros mostraram as pessoas tentando arrombar portas enquanto funcionários tentavam dissuadi-los.

“Após a invasão de indivíduos não identificados na área de tráfego, decidiu-se fechar temporariamente o aeroporto para pousos e decolagens”, informou a entidade, acrescentando que forças de segurança foram enviadas para o local.

As autoridades do Daguestão pediram aos manifestantes para acabarem com suas “ações ilegais” e, à noite (tarde no Brasil), informaram que as forças de segurança tinham retomado o controle da situação. O Ministério da Saúde local também informou pelo Telegram que há ao menos 10 feridos entre os manifestantes e que eles já estão sendo atendidos pelas equipes médicas, sem fornecer mais detalhes.

A Rússia, por sua vez, abriu uma investigação criminal e prometeu deter os manifestantes, segundo o jornal israelense Haaretz. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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