Sob forte pressão política e com arsenal limitado para derrubar a inflação, o presidente do BC (Banco Central), Alexandre Tombini, comanda, nesta semana, a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que já é apontada com uma das mais difíceis e polêmicas desde que assumiu o cargo, no primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff.
Com a artilharia do PT voltada contra o BC após a substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, Tombini e sua equipe desta vez também estão sob maior fogo cruzado dos economistas do mercado financeiro.
Os críticos avaliam que o presidente do BC vai errar de novo se insistir em voltar a aumentar a taxa de juros diante do aprofundamento da recessão da economia. A avaliação crescente é que o processo de intimidação das lideranças petistas para forçar a todo custo uma queda dos juros terá efeito contrário. Ou seja, forçará o BC a subir ainda mais a taxa Selic para reafirmar sua autonomia no momento em que vive a pior fase de credibilidade, depois que a inflação atingiu 10,67% em 2015, apesar do ciclo atual de aperto monetário iniciado em abril de 2013.
“Essa decisão é a mais difícil dos últimos tempos, porque envolve mais custos do que benefícios para a economia”, avalia o ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas. Segundo ele, o aumento dos juros vai sacrificar a economia e levar, mais à frente, ao aumento da inflação.
