Militares dos Estados Unidos fizeram incursões nesta segunda-feira (23), em território controlado pelo Talibã em Cabul, para resgatar 350 americanos e aliados afegãos, em meio à pressão para o presidente Joe Biden manter tropas no país para além da data estipulada para a retirada, no fim do mês.
O objetivo da medida, segundo a Casa Branca, seria alocar 5,8 mil militares no aeroporto de Cabul para prosseguir com a retirada de americanos e aliados do país. Mais de 37 mil pessoas já deixaram o Afeganistão, mas esse número é apenas uma fração do estimado extraoficialmente de militares, civis e aliados de tropas da Otan que vivem no país.
Mais cedo, um porta-voz do Talibã criticou essa possibilidade e ameaçou os americanos com “graves consequências”, caso isso ocorresse. Foi o primeiro resgate além das linhas inimigas conduzido pelo Pentágono, que na semana passada alegara não ter condições logísticas de operar fora do aeroporto. Hoje, o Departamento de Defesa já considera outras operações pontuais desse tipo.
Oficialmente, o Departamento de Estado desvinculou a operação de resgate de americanos e aliados afegãos do cronograma de retirada. “Nosso compromisso com afegãos em risco não acaba no dia 31”, disse um porta-voz.
O Talibã, que tomou o controle do país na semana passada após uma rápida ofensiva militar contra o governo do presidente Ashraf Ghani, quer retomar o controle do aeroporto ainda em setembro.
“Se Estados Unidos, ou Reino Unido, solicitarem mais tempo para continuar com as retiradas, a resposta é não. Ou haverá consequências”, declarou Suhail Shaheen, porta-voz do grupo, ao canal britânico Sky News.
Pressionado por seus aliados, o presidente americano, Joe Biden, citou no domingo (22) a possibilidade de manter as tropas no Afeganistão após 31 de agosto para prosseguir com a retirada, o que para Shaheen significaria “prolongar a ocupação”.
Desde que assumiu o poder no Afeganistão, em 15 de agosto, o Talibã tenta convencer a população de que seu regime será menos brutal que o anterior, entre 1996 e 2001. Mas suas promessas não conseguem reduzir o desejo de milhares de pessoas de fugir do país.
Várias pessoas já morreram em circunstâncias indeterminadas no lado de fora do terminal. Um guarda afegão faleceu nesta segunda-feira em um tiroteio com homens não identificados, que depois envolveu soldados americanos e alemães, informou o Exército da Alemanha.
À espera de um milagre, famílias inteiras permanecem entre as cercas ao redor do perímetro que separa homens do Talibã das tropas americanas nas imediações do aeroporto. O acesso é muito difícil ali.
Biden explicou que o perímetro foi ampliado com a concordância do Talibã, horas depois de um líder do movimento fundamentalista, Amir Khan Mutaqi, culpar os Estados Unidos pelo caos.
A cidade de Cabul registra uma relativa calma. Os combatentes do Talibã patrulham as ruas e observam de postos de controle.
Nenhum governo foi instaurado, mas as negociações prosseguem com personalidades afegãs para alcançar um gabinete “inclusivo”.
Os Talibãs advertiram que não anunciarão a formação de um novo governo no Afeganistão enquanto houver soldados dos Estados Unidos no país, disseram à Agência France-Presse duas fontes do novo regime.
Os fundamentalistas querem impor a imagem de sua autoridade, com a substituição da bandeira de três cores do Afeganistão pela bandeira branca do movimento. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e The New York Times e das agências de notícias AFP e AP.
