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Sobe para 19 o número de casos suspeitos de intoxicação por cervejas em Minas Gerais

De acordo com o boletim da SES, quatro casos foram confirmados e os 15 restantes continuam sob investigação. (Foto: Reprodução)

Subiu para 19 o número de casos suspeitos de pessoas que se intoxicaram depois de beber as cervejas da Backer. A Vigilância Sanitária de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, fechou a distribuidora que forneceu para a cervejaria a substância anticongelante usada na produção da bebida.

Os fiscais da vigilância afirmaram que a empresa não tem alvará nem autorização para fracionar o monoetilenoglicol. “Por termos encontrado o fracionamento, ela infringiu a legislação do meio ambiente. Por isso a empresa está sendo lacrada. Do ponto de vista sanitário, a empresa não possui o alvará sanitário”, disse o superintendente de Vigilância e Saúde, José Renato de Resende Costa.

“Não temos o alvará para fazer o fracionamento dos produtos. Não foi por má-fé, a empresa não sabia. Basicamente a empresa traz produtos de São Paulo para cá. Vamos ser fechados durante o final de semana. Mas, na segunda feira, devemos reabrir. Precisamos só de uma autorização para fazer o fracionamento”, afirmou Mário Saveri, advogado da Imperquímica.

A Justiça Federal concedeu uma liminar que permite à Backer engarrafar a cerveja dos tanques não lacrados. A empresa tem que guardar as garrafas no parque industrial até que a venda seja liberada pelo Ministério da Agricultura. Na noite desta sexta-feira (17), a Anvisa interditou todas as marcas de cerveja da Backer que têm data de validade a partir de agosto de 2020.

Nesta sexta, as autoridades de saúde de Minas Gerais mudaram o protocolo para identificar os casos. Vão ser classificados como intoxicação por dietilenoglicol e não mais síndrome nefroneural. As autoridades também vão investigar agora os casos de pessoas que beberam cervejas da Backer a partir de outubro de 2019 e que nos três primeiros dias tiveram sintomas gastrointestinais, alterações renais ou neurológicas. Elas devem procurar os serviços de saúde.

“O aumento da abrangência é para a gente aumentar a sensibilidade desses casos, para a gente ter realmente um número mais real. Essas pessoas não vão piorar a partir desse momento. Mas é só para a gente documentar realmente se entra ou não como suspeito”, afirmou Virgínia Antunes de Andrade, médica infectologista da Unidade de Resposta Rápida da Secretaria de Saúde de Minas.

“Nós recebemos a notificação dos municípios e aí disparamos um processo de investigação. À medida que essa investigação evolui, classificamos como caso suspeito ou descartamos e, então, atualizamos nosso boletim diário”, explicou Filipe Laguardia, subsecretário em exercício de Vigilância em Saúde.

Em Minas Gerais, subiu para 19 casos notificados, 17 homens e duas mulheres; 15 pessoas estão internadas em estado grave e, das quatro mortes, uma já foi confirmada como intoxicação por dietilenoglicol. As outras três ainda são investigadas. A intoxicação por dietilenoglicol começa com dores no abdômen, náuseas e vômitos. Rapidamente, a substância é metabolizada no fígado e se transforma em um ácido extremamente tóxico.

Esse ácido vai destruir as células dos rins e provocar uma insuficiência renal. Em seguida, ataca as células nervosas e provoca problemas neurológicos que afetam o rosto, a visão e a parte motora.

“A fase renal é a do meio. É a segunda fase. A maioria dos pacientes precisa de hemodiálise. Mas pelo menos existe algo a fazer. A fase neurológica, a gente não tem o que fazer. Então, é importante que todo tratamento seja feito o mais precoce possível”, afirmou Lilian Carmo, presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia.

A Backer tem afirmado que nunca comprou nem usou o dietilenoglicol, que está prestando assistência às vítimas e que vai respeitar a determinação da Anvisa. Sobre a liminar da Justiça Federal que permite à Backer engarrafar a cerveja dos tanques não lacrados, o Ministério da Agricultura declarou que já começou os exames das amostras coletadas nos tanques da cervejaria e que a Advocacia Geral da União está analisando a liminar.

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