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Soroterapia carece de respaldo científico, diz a Anvisa

A prática não tem evidências científicas que apoiem o uso entre pessoas saudáveis. (Foto: Reprodução)

A soroterapia voltou a repercutir nas redes sociais após ter sido compartilhada pela influenciadora e empresária Virginia Fonseca. No entanto, a prática, caracterizada pela administração intravenosa de nutrientes, como vitaminas, eletrólitos e minerais, não tem evidências científicas que apoiem o uso entre pessoas saudáveis. É o que alertou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Promessas de mais energia, imunidade reforçada, rejuvenescimento e até ‘detox’ têm ajudado a popularizar a soroterapia nas redes sociais. Mas é importante saber: nenhuma evidência científica comprova esses benefícios. A administração intravenosa de nutrientes, medicamentos e outras substâncias é um procedimento que SÓ deve ser adotado para tratar deficiências clinicamente diagnosticadas e sob orientação do profissional de saúde competente”, diz a autarquia em nota.

A Anvisa destaca que, como todo procedimento médico, a soroterapia tem riscos, como infecções, reações alérgicas graves, tromboses, flebites (inflamação da veia), entre outros decorrentes da aplicação intravenosa. Além disso, há o risco de excesso de vitaminas pela reposição desnecessária entre pessoas sem deficiência comprovada de tais nutrientes.

“A situação conhecida como hipervitaminose pode provocar sintomas como náuseas, vômitos, dor de cabeça, alterações no fígado, nos rins e outros problemas de saúde. Ou seja, vitaminas também podem fazer mal quando usadas sem necessidade ou em quantidades muito acima do que o organismo precisa”, alerta a agência.

Por esse motivo, a soroterapia é indicada apenas em situações específicas, como de pessoas desidratadas, internadas, que não conseguem obter os nutrientes necessários pela alimentação, com síndromes disabsortivas, para nutrição parenteral e outras situações nas quais a via intravenosa representa a melhor alternativa terapêutica.

“Fora dessas situações, NÃO há comprovação científica de que a soroterapia seja segura e eficaz para melhorar a saúde, prevenir doenças ou aumentar o bem-estar de pessoas saudáveis”, reforça a agência sanitária.

A Anvisa explica que cabe aos conselhos estabelecer as regras que os seus profissionais devem seguir e orientar sobre procedimentos. Por isso, recomenda:

– Procurar sempre saber se os produtos estão regularizados na Anvisa;

– Verificar se o profissional tem habilitação para fazer o procedimento que está sendo oferecido;

– Buscar o conselho profissional daquele profissional para saber se o procedimento é reconhecido.

“É importante ressaltar que medicamentos e vitaminas vendidos como forma de melhorar performance, vigor físico, libido, fadiga crônica, principalmente fins estéticos em forma de soroterapia, não são reconhecidos pelo Conselho Federal de Medicina ou validados pela Anvisa, se tornando um possível risco à saúde dos usuários”, afirma Karen De Marca, presidente eleita e atual diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) do Goiás e da Paraíba, por exemplo, se manifestaram após a repercussão da terapia. O presidente do CRM-PB, Bruno de Souza, disse manifestar preocupação com “a crescente divulgação da chamada soroterapia por influenciadores digitais e personalidades públicas como estratégia para promoção da saúde, melhora da imunidade, aumento da disposição, rejuvenescimento, desintoxicação do organismo ou outros benefícios cuja eficácia, para essas finalidades, não encontra respaldo científico consistente”.

Já o CRM-GO lembrou, em nota, que “a terapia endovenosa de vitaminas e minerais tem movimentado um mercado movido por falsas promessas e impulsionado, principalmente, por artistas e influenciadores”. Além disso, que denúncias de prescrição indiscriminada por médicos podem ser enviadas aos conselhos profissionais. As informações são do jornal O Globo.

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