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Suplemento fitness com testosterona leva homem a surto psicótico

Norte-americano passou de um marido amoroso a um homem que acreditava que sua família queria matá-lo. (Foto: Pixabay)

Daniel Murphy achava que estava tomando um suplemento alimentar seguro e testado, que o ajudaria a ganhar massa muscular na academia. Mas, ao longo dos dois anos seguintes, sua saúde mental se deteriorou a tal ponto que ele acabou em estado de psicose, acreditando que a esposa tentava roubar seu negócio e que a sogra ia matá-lo.

Sem que Daniel soubesse, os comprimidos que tomava diariamente tinham sido misturados com testosterona.

O rapaz de 32 anos é um dos 54 mil consumidores listados em um processo contra uma empresa milionária de peptídeos sediada nos Estados Unidos, que vendia seus produtos pelo mundo todo.

O dono da Paradigm Peptides, Matthew Kawa, foi condenado a 5 anos e 10 meses de prisão depois de admitir que vendeu deliberadamente medicamentos não aprovados, tentou enganar as pessoas sobre o que eram esses produtos e os trouxe ilegalmente para o país.

Apesar de alegar que os suplementos eram fabricados nos Estados Unidos, na verdade, eles eram importados da China, da Índia e de vários outros países. Junto com a irmã, Kawa também falsificou certificados de análise.

A testosterona é um hormônio esteroide, produzido naturalmente pelo corpo. Ela impulsiona o desenvolvimento físico, constrói músculos e controla o desejo sexual, principalmente nos homens, mas também contribui para a saúde das mulheres.

Existe uma versão sintética que os médicos podem prescrever, mas que pode causar danos ao fígado, efeitos psiquiátricos graves e problemas cardíacos e respiratórios se usada sem acompanhamento médico. Também pode causar infertilidade em homens e aumentar o risco de câncer de testículo.

O caso da Paradigm Peptides é o maior a abalar o setor — um mercado sem regulamentação que explodiu e ganhou popularidade nos últimos 18 meses

Peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos produzidas pelo nosso corpo, usadas há muito tempo para tratar condições médicas, incluindo o diabetes. Mais recentemente, passaram a ser usados em medicamentos para emagrecer, os análogos de GLP-1.

Outro tipo de medicamento vendido pela Paradigm Peptides eram os SARMs (sigla em inglês para moduladores seletivos de receptores androgênicos), que atuam em tecidos específicos para aumentar a massa muscular e óssea.

Esses dois tipos de medicamentos injetáveis sem regulamentação vêm se tornando cada vez mais populares na comunidade de bem-estar online, inclusive entre muitos influenciadores jovens.
As redes sociais estão inundadas de pessoas elogiando os benefícios de diversas substâncias, como BPC-157, GHK-Cu e TB-500 —todas com a suposta capacidade de ajudar a ganhar massa muscular, auxiliar na recuperação dos tecidos ou melhorar a saúde da pele.

Elas não são licenciadas, só podem ser vendidas para fins de pesquisa e não são adequadas para consumo humano.

No Reino Unido, Adam Taylor, professor de anatomia na Universidade Lancaster, acompanha casos como esse de perto, enquanto a comunidade científica segue soando o alarme sobre esse mercado, que opera em uma zona cinzenta do ponto de vista legal e regulatório.

Comprar ou possuir os produtos não é ilegal, mas eles não são aprovados para uso humano e, por isso, não estão sujeitos aos controles de qualidade que regem a fabricação de remédios.

“Isso pode ter acontecido nos Estados Unidos”, diz Taylor. “Mas os consumidores estão em risco aqui no Reino Unido também. É uma indústria global.” Ele afirma que um caso como esse mostra a dimensão do risco, quando “as pessoas acham que estão tomando um produto, mas na verdade é algo completamente diferente”. (As informações são do g1)

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