Já passava das 11h da manhã quando João Bernardi Filho deixou a agência do Citibank na rua da Assembleia, no Centro do Rio. Naquele 5 de outubro de 2011, Bernardi, que trabalhava para a Saipem, fornecedora de equipamentos de petróleo, rumou para a Petrobras, a poucos metros dali. Ele carregava uma valise com 100 mil reais. Segundo o Ministério Público Federal, o dinheiro era propina a ser entregue para o então diretor de Serviços, Renato Duque.
Indicado para o cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Duque receberia o pagamento por favorecer a Saipem em uma licitação da petroleira para a instalação de um gasoduto submarino. O valor do contrato chegou a 249 milhões de reais.
O caminho de Bernardi até a sede da Petrobras, porém, foi interrompido por Fernando Lourenço Lopes. O jovem de 27 anos apontou uma pistola em direção ao executivo, rendeu um segurança, pegou a mala e correu.
Em depoimento, o policial Marcelo Soriano disse ter visto Lopes correndo com a arma e saiu em seu encalço. O ladrão quase conseguiu escapar, mas foi atingido por um tiro na perna, disparado por outro agente. Quando o jovem caiu, 47 mil reais do dinheiro que tinha roubado se espalharam pelo chão. O resto desapareceu. Segundo os policiais, ele teria oferecido 50 mil reais para não ser preso. No caminho do hospital, aumentou a oferta para 200 mil reais. Conforme a ação, os agentes não aceitaram.
Na época, Bernardi disse que o dinheiro era fruto de empréstimo que acabava de ser pago. Sua defesa nega que o valor fosse propina. Refeito do susto, ele esteve com Duque no dia seguinte, na Petrobras, conforme registros da portaria. Os procuradores acreditam que ali ele finalmente entregou a propina. Bernardi deu queixa contra o ladrão, que foi condenado a nove anos de prisão.
O roubo colaborou para as suspeitas sobre o que motivava as visitas dele à Petrobras. Ele foi preso em junho, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Aguarda a conclusão do processo na cadeia, em Curitiba (PR). (Folhapress)
