Ícone do site Jornal O Sul

Taxa Selic deve encerrar 2023 em 11,50%, prevê o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega

A queda da inflação fez o Banco Central (BC) não mexer nos juros na última reunião do Copom. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A Selic (taxa básica de juros) deve começar a declinar apenas no primeiro semestre de 2023 se a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguir conciliar a questão fiscal com agenda de governo, disse o economista, ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Maílson da Nóbrega.

“Essa questão do Banco Central pisar no freio e a política fiscal do governo pisar no acelerador deve continuar, o que significa que devemos ter juros altos pelo menos até o primeiro semestre do ano que vem”, afirmou Maílson, durante o evento “Cenários Políticos, Econômicos e do Agro pós-eleições”, realizado pelo Insper Agro Global e Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) na noite de quinta-feira (3).

Maílson prevê que a Selic deve encerrar 2023 em 11,5%. Hoje, a taxa está em 13,75%. “Ela só vai chegar em 8%, patamar considerado estrutural para o Brasil, em 2024”, projetou.

Queda da inflação

A queda da inflação fez o Banco Central (BC) não mexer nos juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve, na semana passada, a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Em comunicado, o Copom informou que manterá os juros pelo tempo necessário para segurar a inflação e julgou o nível adequado para lidar com as incertezas sobre a economia brasileira. O órgão, porém, não descartou a possibilidade de novos aumentos caso a inflação não caia como o esperado. A taxa continua no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano.

Ao optar pela manutenção da taxa de juros, o colegiado reforçou a necessidade de avaliação, ao longo do tempo, dos impactos acumulados “do intenso e tempestivo ciclo de política monetária já empreendido”. A taxa continua no maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano.

Essa foi a segunda vez seguida em que o BC não mexe na taxa, que permanece nesse nível desde agosto. Anteriormente, o Copom tinha elevado a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis.

“O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê enfatiza que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”, esclarece a ata.

Para o Copom, já são perceptíveis os impactos do aumento dos juros nos dados de crédito e atividade econômica. “Nota-se um impacto nos dados recentes referentes tanto à composição das concessões de crédito para as famílias quanto ao aumento moderado da inadimplência, em parte associados a uma dinâmica na renda real disponível que sugere retração”, avaliou.

Ainda assim, para o colegiado, a inflação ao consumidor segue elevada, apesar da queda recente e dos efeitos do corte de impostos em itens como combustíveis e energia elétrica.

“As divulgações recentes foram fortemente influenciadas pela redução de preços administrados, em função tanto da queda de impostos quanto, em menor medida, das quedas dos preços internacionais de combustíveis. Além disso, itens relacionados a bens industriais, refletindo a queda mais intensa dos preços ao produtor e a distensão das pressões nas cadeias globais de valor, também apresentaram desaceleração. No entanto, os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, que apresentam maior inércia inflacionária, mantêm-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”, esclarece a ata do Copom. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e da Agência Brasil.

Sair da versão mobile