Na tarde dessa segunda-feira, a defesa do presidente Michel Temer informou ter ingressado com um novo pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o inquérito contra o peemedebista não seja mais suspenso. A declaração foi dada após um encontro com o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato na Corte.
Temer contratou uma perícia independente para analisar o áudio de sua conversa com o empresário Joesley Batista (um dos donos do grupo JBS/Friboi), base do pedido de investigação contra ele autorizado pelo Supremo. De acordo com o advogado Gustavo Guedes, foram detectados 70 pontos “obscuros” na gravação. “O material é imprestável como prova”, argumentou.
O famoso perito Ricardo Molina, contratado pela defesa, corroborou a alegação: “Eu tenho a certeza de que a Polícia Federal também vai identificar falhas técnicas nesse material”, assegurou. “Sob o ponto-de-vista técnico, esse registro sonoro não pode ser considerado autêntico e isso ficará claro em outras perícias.”
O advogado se reuniu na tarde dessa segunda-feira com o ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator do inquérito, para comunicar a desistência, depois de Fachin autorizar a perícia pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística).
Cármen Lúcia
Em despacho publicado também à tarde, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, havia decidido que o pedido de suspensão de inquérito entraria na pauta do plenário da Corte após a perícia. No sábado, quando Fachin publicou um despacho determinando a análise, o gabinete da presidente do STF informou que o colegiado deveria analisar o pedido na quarta-feira.
No sábado, durante o seu segundo pronunciamento desde a divulgação das primeiras informações sobre a delação premiada de executivos do grupo frigorífico (um dos maiores do mundo), Temer atacou Joesley e classificou a gravação com adjetivos tais como “clandestina”, “fraudulenta” e “manipulada”.
O áudio gravado pelo dono da JBS contém um diálogo bombástico entre Temer e Batista, no qual ambos falam sobre a situação do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, cassado pelo Conselho de Érica da Câmara e preso desde o ano passado pela Operação Lava-Jato, que em março o condenou a 15 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Mesmo recolhido a uma cela em Curitiba (PR), ele estaria chantageando o chefe do Executivo com a ameaça de “abrir a boca” sobre fatos comprometedores para o Palácio do Planalto, caso não recebesse propinas.
Vai e vem
O novo pedido protocolado no STF altera a estratégia de defesa de Michel Temer, que na semana passada havia solicitado que o inquérito fosse suspenso. Inicialmente, o julgamento dessa questão de ordem estava marcado para esta quarta-feira.
A sessão era esperada com ansiedade pela classe política. Setores da base aliada do governo aguardavam inclusive o resultado e o posicionamento dos ministros para decidir se permaneceriam ao lado do peemedebista ou “desembarcariam”.
