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Temer mantém no governo ministros denunciados na Operação Lava-Jato

Michel Temer e Eliseu Padilha. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Michel Temer vai manter no governo os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, em um recuo de sua promessa de afastar auxiliares que fossem denunciados no âmbito da Operação Lava-Jato.

Padilha e Moreira foram denunciados na quinta-feira (14) pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sob a acusação de participar de uma organização criminosa composta por integrantes do PMDB da Câmara dos Deputados.

Em fevereiro, Temer havia anunciado que afastaria temporariamente os ministros que fossem denunciados por crimes investigados pela Lava-Jato. A escalada do embate entre o presidente e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, levou Temer a rever essa “linha de corte”.

Esse recuo ganhou força no Palácio do Planalto depois que o próprio Temer passou a adotar o discurso de que a Procuradoria agiu politicamente ao investigar os relatos do empresário Joesley Batista e de outros executivos do grupo.

Nesse sentido, a equipe de Temer entende que o peemedebista deve preservar seus ministros, apelar para o espírito de corpo da classe política e defendê-los das acusações, a fim de garantir sua própria proteção contra as investidas da PGR. Para justificar a mudança de comportamento, o governo trata a denúncia como um movimento pessoal e individual de Janot, que deixará o cargo de procurador-geral na segunda-feira (18). Ele será substituído por Raquel Dodge

“Linha de corte”

Temer anunciou a regra de afastamento de ministros em fevereiro, após a revelação do conteúdo das delações da Odebrecht. Àquela altura, antes do acordo de colaboração premiada da JBS, as principais suspeitas de corrupção da Lava -Jato recaíam sobre os auxiliares do presidente.

Na ocasião, ele declarou que afastaria temporariamente do cargo qualquer ministro que fosse denunciado pela PGR no âmbito da Lava-Jato. Caso a denúncia fosse aceita pelo STF e o ministro se tornasse réu, o afastamento se tornaria definitivo.

Àquela altura, essa “linha de corte” estabelecida por Temer funcionou como uma blindagem para auxiliares que haviam sido citados nas delações premiadas da Odebrecht e, em abril, se tornariam alvos de inquéritos. Pelas regras apresentadas pelo presidente, não haveria motivo para afastar ministros apenas investigados. Segundo esse entendimento, só seria necessário que eles deixassem o governo se a Justiça os transformasse em réus.

Questionado em maio se ele mesmo deixaria o cargo caso fosse denunciado pelo procurador-geral, Temer se diferenciou de seus ministros. “Sou chefe do Executivo. Os ministros são agentes do Executivo, de modo que a linha de corte que eu estabeleci para os ministros, por evidente, não será a linha de corte para o presidente.” (Folhapress)

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