Com a expectativa de o STF (Supremo Tribunal Federal) definir até quarta-feira (01) o novo relator da Operação Lava-Jato, o presidente Michel Temer planeja escolher o novo ministro da Corte até o final desta semana para anunciá-lo, no máximo, na próxima.
A celeridade na escolha do ministro que irá substituir Teori Zavascki, que morreu em um acidente aéreo no dia 19 de janeiro no Rio de Janeiro, tem como objetivo evitar a acusação de que estaria negociando um nome com trânsito político para interferir na análise dos processos e acabar com as pressões de aliados para escolher alguém ligado ao governo.
Segundo o entorno do peemedebista, antes favorito para a vaga, o nome do presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Ives Gandra Filho, perdeu força. Na lista de preferidos do presidente, ainda figuram os nomes dos ministros Isabel Galotti, Luis Felipe Salomão e Rogério Schietti, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Temer tem confidenciado a assessores que o seu escolhido não poderá representar uma afronta ao STF nem ser alvo de críticas generalizadas da opinião pública. Nas palavras de um auxiliar, ele não quer abrir zonas de atritos com esses dois grupos.
Foi por isso que, na segunda-feira (30), o presidente fez questão de dizer que Cármen Lúcia tomou a decisão certa ao homologar as delações da Odebrecht, apesar de seus aliados preferirem que isso ficasse a cargo do novo relator da Lava-Jato.
Em conversas reservadas, Temer tem dito acreditar que o ministro Luiz Edson Fachin passe a fazer parte da 2ª Turma do STF, onde deverão ser redistribuídos os processos da Operação Lava-Jato. Caso isso não ocorra, contudo, o nome que ele indicar substituirá o ministro Teori Zavascki entre os cinco ministros que analisam os processos da Lava-Jato, o que justificaria uma indicação rápida do presidente.
Nas palavras de um assessor presidencial, Temer tem a consciência de que não pode ser acusado de atrasar a Lava-Jato. Em um esforço para que não seja acusado de querer interferir no Poder Judiciário, o presidente deve fazer consultas informais, por meio de amigos e até pessoalmente, a Cármen Lúcia e também ministros como Gilmar Mendes e Celso de Mello antes de definir um nome. Temer tem se queixado da pressão de partidos como PMDB e PSDB na tentativa de emplacar nomes para o STF. (Folhapress)
