A Terra Yanomami registrou 42 mortes de indígenas em meio à emergência em saúde pública. O número foi divulgado nesta quinta-feira (2) pelo Ministério da Saúde. As principais causas dos óbitos são desnutrição, diarreia e pneumonia.
Além das 42 mortes, todas registradas em 2023, o Ministério investiga outros seis óbitos.
O território Yanomami enfrenta uma crise humanitária sem precedentes devido ao avanço do garimpo ilegal. Para enfrentar a desassistência sanitária dos indígenas, foi declarada emergência de saúde pública. Desde então, são feitos atendimentos emergenciais em comunidades onde há indígenas doentes.
O governo federal pretende enviar, inicialmente, 14 médicos para reforçar o atendimento aos indígenas nas comunidades desassistidas pela gestão passada. A previsão é que os profissionais comecem a atuar ainda neste mês.
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, foi a Roraima com uma comitiva federal que acompanha o combate à crise Yanomami. Ela esteve na Casa de Saúde Yanomami (Casai), onde também funciona o Hospital de Campanha, e no Hospital da Criança – todas essas unidades recebem indígenas doentes, principalmente com malária e desnutrição.
Nesta quinta-feira (2), Nísia esteve em Surucucu, região onde há uma unidade de Saúde referência no atendimento aos Yanomami resgatados nas comunidades. A expectativa é que a ministra anuncie novas ações de enfrentamento à crise.
Além das ações emergenciais de saúde, o governo federal atua para que os garimpeiros ilegais deixem o território.
Desde o reconhecimento da crise sanitária, operações contra os invasores têm destruído acampamentos no meio da floresta, maquinários e estrutura logística de garimpos e realizado apreensões de minérios. A ofensiva contra os garimpeiros é feita em força-tarefa do Ibama, Polícia Federal, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Censo indígena
Em outra frente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contará com o apoio dos Ministérios da Justiça, do Planejamento, dos Povos Originários e da Defesa para concluir o Censo Demográfico da Terra Indígena Yanomami. O termo de cooperação interministerial foi assinado nesta quinta-feira (2) pelos ministros Flávio Dino, Sônia Guajajara e Simone Tebet. O ministro da Defesa foi representado pelo general José Eduardo Pereira.
A operação terá início na próxima segunda-feira (6) e tem previsão para ser concluída de 20 a 30 dias, a depender das condições climáticas de acesso à região. Os recenseadores já coletaram dados de 50% dos moradores do território. Segundo o IBGE, resta a metade final da população que vive em áreas de acesso especialmente complexas.
Durante a solenidade, Flávio Dino destacou a importância do recenseamento Yanomami para a garantia dos direitos indígenas e o combate à desinformação. “Nós estamos enfrentando um negacionismo censitário, que é uma das modalidades perversas desses múltiplos negacionismos que se implantaram no nosso país. Celebramos o hino nacional e dizemos nossa pátria, a mãe gentil dos filhos deste solo. Muito bem, para ela ser gentil, é preciso que nós saibamos onde estão e quem são os filhos e filhas desta pátria. E somente o recenseamento pode responder a isto”, afirmou o ministro da Justiça.
Ele também criticou a situação de abandono dos povos Yanonami e classificou como genocídio o que tem ocorrido na região. “A lei que trata de genocídio no Brasil neste caso explica que a morte de centenas de pessoas e crianças por omissões, dolosas ou culposas, se insere neste conceito, infelizmente, e nós estamos aqui dizendo que acabou o tempo da falta de lei na Amazônia brasileira e no território Yanomani”. As informações são do portal de notícias G1 e da Agência Brasil.
