O número de mortos por conta dos terremotos na Venezuela subiu nessa sexta-feira (26) para ao menos 920 pessoas, segundo balanço do governo venezuelano. O país também contabilizava 3.360 feridos. Já o número de desaparecidos passou de 50 mil, segundo o chefe do Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher.
“Trata-se de uma operação de resgate extremamente completa. Há mais de 50.000 pessoas desaparecidas e mais de 500 mortas. Portanto, buscar sobreviventes entre os escombros é uma tarefa colossal”, declarou Tom Fletcher em uma entrevista concedida à AFP em Genebra. Fletcher afirmou ainda que considera provável que o número de mortos “aumente consideravelmente”.
Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
O novo balanço foi divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e é provisório — a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estimam que o número de vítimas possa ser bem maior, levando em conta a força do terremoto, a falta de estrutura e as áreas densamente populosas que foram atingidas.
Rodríguez, que é irmão da presidente Delcy Rodríguez, disse também que havia ainda 172 pessoas presas nos escombros. Ele também afirmou que o governo registrou, até agora, 383 edifícios que foram totalmente derrubados ou sofreram danos.
A presidente interina anunciou ainda que seu governo vai “militarizar” o estado de La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos terremotos. La Guaira, uma área costeira que fica nos arredores de Caracas, está dentro da chamada “zona de desastre” estipulada também pelo governo venezuelano.
Equipes de resgate agora lutam para encontrar desaparecidos e retirar pessoas dos escombros. Pelas redes sociais, há também vários relatos e imagens de edifícios que desabaram.
Vários países, entre eles Estados Unidos e Brasil, anunciaram que enviarão equipes para auxiliar nas buscas. Nessa sexta-feira (26), a ajuda começou a chegar à Venezuela.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou profundo pesar “pela trágica perda de vidas” e reafirmou o compromisso total da organização com os venezuelanos em meio ao cenário de destruição generalizada em Caracas e nos estados de Miranda, Carabobo, Yaracuy e La Guaira.
Segundo agências de notícias, o Ministério de Relações Exteriores do Brasil confirmou a morte de dois brasileiros. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal declarou que nove portugueses e lusodescendentes morreram e 56 estão desaparecidos.
Guterres disse que o sistema da ONU se mobilizou de forma urgente para trabalhar lado a lado com o Governo da Venezuela e os parceiros locais. Ele enviou condolências às famílias das vítimas e desejou uma rápida recuperação aos feridos.
O Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, declarou que a busca e o salvamento são a prioridade máxima. Atualmente, 25 equipes de resposta rápida estão sendo enviadas para o terreno, movimentando cerca de mil profissionais de resgate de vários países.
