Mais antiga instituição do gênero em Porto Alegre, o Theatro São Pedro (TSP) será reaberto ao público em 26 de novembro, após a conclusão das obras de restauro em andamento desde março do ano passado, a um custo total de R$ 20 milhões. A informação foi confirmada na manhã dessa terça-feira (25), após visita ao local pelo governador Eduardo Leite e equipe técnica da Secretaria da Cultura.
O tradicional prédio no Centro Histórico recebeu uma série de intervenções voltadas à segurança e acessibilidade. Na lista está incluído o plano de prevenção e proteção contra incêndio (PPCI), com sistemas de alarme e detecção de fumaça, iluminação de emergência, portas corta-fogo, hidrantes e extintores.
A obra também contempla rampas, elevador acessível, assentos reservados, banheiros adaptados e sinalização tátil. Além disso, o TSP passa por restauração das instalações elétricas e luminotécnicas, bem como pela recuperação de pisos, forros, esquadrias e mobiliário dos camarins, sanitários, áreas técnicas e espaços externos.
O presidente da Fundação Teatro São Pedro (FTSP), Luciano Alabarse, detalhou a programação de retomada: na primeira noite, um concerto da cantora porto-alegrense Anaadi e da Orquestra Jovem Theatro São Pedro, sob regência da maestrina Keliezy Severo. Na seguinte, o espetáculo de dança contemporânea “Como Água”, do grupo Primeiro Ato.
A cantora e compositora Adriana Calcanhotto ocupará o palco na noite de 28 de novembro, com espetáculo de voz e violão. Já no dia 29 será apresentada a peça “Todas as Minhas Mortes”, monólogo de Júlio Conte com direção de Marcelo Restori.
O calendário cultural prosseguirá nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, com o musical “Piaf, Eu Não Me Arrependo”, protagonizado por Laila Garin, com base na trajetória da cantora francesa Edith Piaf. Detalhes sobre a venda de ingressos serão informados em breve em theatrosaopedro.rs.gov.br.
História
O Theatro São Pedro foi inaugurado em 27 de junho de 1858, após 25 anos de construção e paralisações. Na origem está a doação, em 1833, do terreno pelo presidente da Província (cargo equivalente ao do atual governador), Manoel Antônio Galvão.
Com projeto neoclássico assinado pelo arquiteto alemão Filipe Normann, a obra foi interrompida ainda na etapa dos alicerces, em 1835, devido à Revolução Farroupilha. Os trabalhos só foram retomados em 1850 (cinco anos após o conflito), com novo projeto do mesmo autor. Foi preciso recolher dinheiro outra vez e reorganizar a sociedade de acionistas para viabilizar a inauguração. Em 1862, o teatro passou a patrimônio público em caráter permanente.
A grafia com “th” da fachada é a original da inauguração e ali continua, prática mantida por outras instituições brasileiras do segmento. O São Pedro é um dos teatros do século 19 ainda em atividade no País, a exemplo do Theatro da Paz (1878) em Belém do Pará, e do Teatro Amazonas (1896) em Manaus (AM).
De 1973 a 1984, o prédio permaneceu interditado, fato atribuído às precárias condições de conservação, com risco à segurança de funcionários, artistas e público. Durante esse período, em 1975, Eva Sopher (1923-2018) assumiu a coordenação da recuperação do prédio.
Imigrante alemã radicada em Porto Alegre, “Dona Eva” dirigia na época a Pro Arte (Sociedade de Artes, Letras e Ciências), atuando como produtora cultural, responsável por trazer grandes concertos de música erudita e espetáculos teatrais do exterior para a capital gaúcha. Também havia se tornado servidora da então Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul.
Quando o governo do Estado transformou o teatro em fundação (permitindo a arrecadação de recursos junto a empresas privadas para concluir a obra), Eva foi nomeada presidente da entidade pelo Poder Executivo.
As portas do TSP foram reabertas em junho de 1984, mesmo ano do tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) – o imóvel também é protegido e níveis municipal e federal. Nos terrenos vizinhos, posteriormente seriam erguidos o complexo Multipalco, Memorial, Sala da Música, Teatro-Oficina Olga Reverbel e Teatro Simões Lopes Neto, que tem ajudado a manter parte das atividades do São Pedro durante a pausa para readequação.
(Marcello Campos)
