Uma operação conjunta entre Polícia Civil e Vigilância Sanitária fechou uma casa de longa permanência de idosos (ILPI) em Esteio e outra em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ambas funcionavam clandestinamente e submetiam os pacientes a torturas, maus-tratos e outras violações que motivaram a prisão de três pessoas – no comando do negócio estava uma mulher ainda não encontrada pelas autoridades.
A situação degradante passou a ser investigada semanas antes, após denúncia de uma mulher que gravou com o celular o momento em que sua avó sofria agressão física e verbal nas dependências da clinica irregular. A Justiça então decretou a prisão preventiva da líder do esquema e do seu casal de filhos, além da nora, mas somente os três ultimos foram localizados.
Agente que participaram da operação relataram cenas chocantes e repugnantes, como ausência de cuidadores, desnutrição, desidratação, superlotação dos ambientes e condições de higiene precárias, incluindo acúmulo de lixo e idosos com roupas e camas tomadas de urina e fezes. Pacientes apresentavam lesões em diferentes partes o corpo e alguns corriam risco de morrer.
O quadro incluía outro agravante: a total ausência de médico, enfermeiro ou técnico de enfermagem – apenas dois dos quatro familiares envolvidos atuavam na rotina do estabelecimento. Enquanto isso, a casa cobrava um valor médio de R$ 2,5 mil por mensalidade (ainda não se sabe desde quando o esquema era praticado pelo grupo).
Esse cenário de terror foi flagrado apenas na unidade de Sapucaia do Sul. Não havia ninguém na casa de Esteio quando os agentes da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária chegaram para completar a operação. Apenas móveis e equipamentos foram encontrados, porém com indícios de atividade recente, fato que das autoridades suspeitam indicar uma provável debandada às pressas.
Destino
Após receberem os primeiros socorros por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), os cinco idosos retirados da sede de Sapucaia do Sul foram conduzidos a postos de saúde ou unidades de pronto atendimento (UPA) no município. Um dos velhinhos precisou de internação hospitalar.
Enquanto assistentes sociais tentam localizar familiares dos pacientes (inclusive para verificar, caso a caso, as chances de retorno a seus lares de origem), eles permanecem provisoriamente em outras ILPIs na Região Metropolitana. O caso prossegue sob investigação.
