Três ativistas digitais em Pequim, capital da China, estão desaparecidos desde 19 de abril. Eles escreveram artigos sobre o novo coronavírus que foram censurados pelo governo, e suas famílias acreditam que eles tenham sido presos pela polícia por causa disso.
A China já foi criticada pela forma que está lidando com a pandemia, inclusive porque autoridades da cidade de Wuhan, onde foram registrados os primeiros casos da Covid-19, terem punido um médico que em dezembro tentou alertar colegas para as características excepcionais da doença.
Chen Mei, Cai Wei e sua namorada, cujo sobrenome é Tang, desapareceram em 19 de abril, de acordo com o irmão de Mei, Chen Kun. Os três fizeram parte da criação de um projeto chamado Terminus2049, uma plataforma onde artigos censurados ou removidos pelo governo chinês foram preservados.
Dois dos voluntários, Cai e Tang, foram acusados de “perturbar a ordem pública e causar problemas” e atualmente estão sob “vigilância residencial em um local selecionado”, de acordo com um aviso da Polícia do Distrito de Chaoyang em Pequim, recebido pelas famílias e ao qual a AFP teve acesso.
Chen Kun disse que ainda aguarda confirmação oficial da polícia de Chaoyang de que seu irmão mais novo, de 26 anos, foi preso.
A plataforma na internet incluiu muitos artigos sensíveis sobre o novo coronavírus publicados nos últimos meses, como histórias de cidadãos de Wuhan e uma entrevista com o doutor Ai Fen, do Hospital Central da cidade, um dos primeiros a falar sobre o vírus.
Trump culpa China
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (27) que a China poderia ter contido o coronavírus antes que ele se espalhasse pelo mundo e disse que seu governo está conduzindo “investigações sérias” sobre o que aconteceu.
“Estamos fazendo investigações muito sérias… Não estamos felizes com a China”, disse Trump em uma entrevista coletiva na Casa Branca. “Há muitas coisas pelas quais eles podem ser responsabilizados.”
“Acreditamos que poderíamos ter impedido isso na fonte. Poderíamos ter impedido que se espalhasse tão rápido e não se espalharia por todo o mundo.”
As críticas de Trump são as mais recentes de seu governo destinadas à maneira pela qual a China se portou no surto de coronavírus, que começou no final do ano passado na cidade chinesa de Wuhan e cresceu se tornando uma pandemia global que até agora matou mais de 207 mil pessoas pelo mundo, 56 mil delas nos Estados Unidos.
Na semana passada, o secretário de Estado, Mike Pompeo, disse que os Estados Unidos “acreditavam fortemente” que Pequim falhou em informar o surto do coronavírus em tempo razoável e acobertou o quão perigosa a doença respiratória causada pelo vírus poderia ser.
O Ministério das Relações Exteriores da China nega as acusações.
