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Tribunal de Contas da União dá 15 dias para o Supremo, o STJ e o TST justificarem por que possuem salas VIPs exclusivas no Aeroporto de Brasília

O Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou cópias dos contratos vigentes. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

O Tribunal de Contas da União (TCU) definiu na quarta-feira (25) um prazo de 15 dias para que Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Tribunal Superior do Trabalho (TST) encaminhem documentos ou esclarecimentos relacionados a contratos para acesso a salas exclusivas no Aeroporto Internacional de Brasília.

De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, os três tribunais, somados, previam nos contratos gastar mais de R$ 1,6 milhão por ano para manter o benefício.

Foram solicitadas, por exemplo, cópias dos contratos vigentes, expirados e correlatos à contratação de salas VIP, além de justificativas técnicas, modalidades de contratação e fundamentos legais. Também foram pedidos estudos de viabilidade e comparativos de alternativas a essas contratações.

Procurado, o TST informou que, em outubro de 2025, determinou o cancelamento do contrato, antes de o espaço ser posto em operação. Os demais tribunais ainda não se manifestaram.

O caso foi apreciado após o Congresso Nacional requerer auditoria nos contratos firmados pelo STF, STJ e TST para acesso a salas exclusivas no Aeroporto de Brasília. Nesta quarta-feira, não houve avaliação de mérito da questão. A diligência vai subsidiar uma eventual análise conclusiva.

Em um parecer enviado ao TCU no ano passado, o subprocurador-geral do Ministério Público junto à Corte, Lucas Furtado, questionou a legalidade e o interesse público desses gastos dos tribunais. O MPTCU afirma que não existem estudos técnicos que comprovem a necessidade dessas salas VIPs e de outros serviços exclusivos.

Em abril do ano passado, o TST fechou um contrato de R$ 1,5 milhão para reformar e ter acesso a uma sala VIP no Aeroporto de Brasília. O contrato foi cancelado em outubro, segundo o TST.

O Estadão revelou que o contrato faz parte de um movimento iniciado anos antes pelo STJ e pelo STF para que seus membros desfrutem, além do ambiente privativo, de serviços exclusivos e regalias ao embarcarem para seus compromissos.

Além do acesso à sala VIP, com direito a atendente exclusivo, os acordos incluem transporte executivo entre o portão de embarque e a aeronave, a fim de evitar encontros com “pessoas mal-intencionadas ou inconvenientes”, conforme justificativa do TST. Os contratos também preveem serviço de recepção e estacionamento privativo.

No caso do TST, o contrato previa ainda uma obra no aeroporto para que o local antes ocupado por um spa se transformasse em uma sala VIP com acomodações em granito e banheiros exclusivos. O projeto previa um espaço de 44 metros quadrados, e o aluguel custa R$ 30 mil mensais ao TST, além de outros R$ 2,6 mil por mês destinados ao rateio das despesas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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