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Tribunal Superior de Justiça quer julgar, em até um mês, ação sobre disparos ilegais de mensagens em massa pelo WhatsApp

Luis Felipe Salomão concluiu não haver "indícios mínimos" de infração funcional por parte de juízes que trabalharam com ministro do STF. (Foto: STJ)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) trabalha para levar a plenário, em até um mês, a ação que pede a cassação da chapa do presidente Jair Bolsonaro e de seu vice, Hamilton Mourão, por impulsionamento ilegal de mensagens em massa pelo WhatsApp.

O julgamento marcaria o encerramento da passagem do ministro Luis Felipe Salomão à frente da Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral, órgão responsável por instruir processos sobre abuso de poder econômico e político. Salomão deixa o cargo no dia 29 de outubro, quando será substituído pelo ministro Mauro Campbell, o mais antigo membro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na composição do TSE.

Nos bastidores, as equipes de ambos já começaram a conversar sobre a transição. Fontes ligadas aos ministros afirmam que eles são “muito alinhados” e têm perfis parecidos, o que fica evidente em seus votos — na maioria das vezes, estão do mesmo lado do placar. Como os dois são considerados juízes rigorosos, a expectativa é a de que a mudança não prejudique as investigações em curso.

Ainda assim, Salomão pretende passar o bastão ao sucessor com pelo menos um dos casos julgados em plenário. O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, tem acompanhado de perto essa possibilidade. A ação que está mais avançada diz respeito aos supostos disparos em massa feitos durante a campanha eleitoral de 2018.

Na semana passada, novas provas foram anexadas no processo. O ministro Alexandre de Moraes compartilhou com o TSE documentos coletados no âmbito do inquérito das “fake news” e da investigação sobre atos antidemocráticos, que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo fonte com acesso aos autos, trata-se de “material forte” que traz indícios de que o uso de sistemas automatizados para envio massivo de mensagens — algumas contendo informações falsas sobre os opositores de Bolsonaro na eleição — foi bancada por apoiadores do presidente.

A prática é proibida pela legislação eleitoral. Pagamentos feitos por empresários em favor de um candidato, por exemplo, devem ser declarados, caso contrário podem ser considerados crime de caixa dois.

Segundo o jornal Valor Econômico, o material enviado por Moraes ao TSE também inclui dados obtidos a partir de quebras de sigilo de pessoas investigadas por integrar uma organização criminosa digital que atua desde 2018 — um esquema de financiamento, produção e publicação de notícias falsas e ataques às instituições democráticas, com participação inclusive de um núcleo político.

Se essa ação de fato for levada ao plenário em até um mês e o colegiado formar maioria para condenar a chapa por abuso de poder e desequilíbrio às eleições, Bolsonaro e Mourão ficam inelegíveis por oito anos — ou seja, não poderão disputar o pleito de 2022, exceto se o fizerem na condição “sub judice”, com eventuais recursos ainda em tramitação.

Além dos desdobramentos das duas ações sobre os disparos em massa, Campbell vai “herdar” outras duas que pedem a cassação do presidente por outro motivo: uma invasão hacker feita por bolsonaristas a um grupo no Facebook que, também à margem da lei, pode ter fortalecido a candidatura da chapa em 2018.

Na última sexta-feira (24), conforme o Valor, o Ministério Público Eleitoral constatou indícios de que o ataque possa ter sido financiado, o que poderia configurar abuso de poder econômico e dos meios de comunicação.

Campbell também vai ficar responsável pelo inquérito administrativo aberto pelo TSE em 2 de agosto para apurar a postura de Bolsonaro ao alegar, sem provas, fraude nas eleições.

Nesses autos, investiga-se ainda outra hipótese de abuso de poder: um possível pagamento feito por empresários e políticos a manifestantes que compareceram aos atos de 7 de Setembro.

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