Ícone do site Jornal O Sul

Tribunal Superior Eleitoral aceita ação contra chapa Lula-Alckmin por abuso de poder econômico

Entre as ações mencionadas estão o reajuste do Bolsa Família e a ampliação de subsídios aos combustíveis. (Foto: Ricardo Stuckert)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou uma ação apresentada pelo partido Novo para investigar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por suspeita de abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2026. A investigação foi determinada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

A representação questiona 35 medidas anunciadas pelo governo federal ao longo deste ano, sob o argumento de que iniciativas com forte apelo popular teriam sido concentradas no período eleitoral com o objetivo de favorecer a candidatura à reeleição. Entre as ações mencionadas estão o reajuste do Bolsa Família e a ampliação de subsídios aos combustíveis.

Segundo o partido, o volume de medidas adotadas em 2026 iguala o total de iniciativas de teor semelhante editadas nos três anos anteriores do governo Lula. O levantamento apresentado pela legenda considera 17 atos em 2023, quatro em 2024 e 14 em 2025.

O Novo sustenta que a concentração de anúncios e benefícios em ano eleitoral pode caracterizar utilização da estrutura administrativa e de recursos públicos para influenciar a disputa presidencial. A legenda também questiona os impactos financeiros das medidas e a oportunidade em que foram implementadas.

Na decisão, Villas Bôas Cueva considerou que a representação reúne os requisitos necessários para tramitar como Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). O ministro determinou a notificação de Lula e Alckmin para que apresentem defesa no prazo de cinco dias.

A investigação envolve Lula pela edição dos atos governamentais questionados. Em relação a Alckmin, o corregedor considera, além de sua condição de integrante da chapa beneficiada, sua participação em eventos nos quais algumas das medidas foram anunciadas.

O recebimento da ação, entretanto, não significa que o TSE tenha reconhecido a ocorrência de irregularidades ou considerado comprovado o abuso de poder. Trata-se de uma etapa inicial do processo, destinada a permitir a apuração dos fatos, a apresentação das defesas e a produção de provas.

Caso as acusações sejam comprovadas e o tribunal reconheça a prática de abuso de poder político ou econômico, a legislação eleitoral prevê sanções que podem incluir a cassação dos diplomas e a declaração de inelegibilidade por oito anos, conforme a responsabilidade individual dos envolvidos.

A ação do Novo não é a única investigação eleitoral envolvendo os dois principais nomes da chapa governista. Segundo consulta ao banco de dados do TSE, existem outros procedimentos em andamento relacionados à campanha presidencial de 2026.

No total, o tribunal ainda deverá julgar 28 Ações de Investigação Judicial Eleitoral envolvendo Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A campanha do presidente reeleito aparece como investigada em 15 procedimentos, enquanto Flávio figura em 14. Os números incluem ações apresentadas pelas equipes jurídicas dos dois grupos políticos.

Sair da versão mobile