Exatos 30 anos após o acidente aéreo que vitimou a banda, foi inaugurado nessa segunda-feira (2) o memorial em homenagem aos Mamonas Assassinas, no cemitério em que os cinco músicos estiveram sepultados, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.
Os corpos, exumados e cremados na semana passada, darão origem a cinco árvores no Jardim BioParque Memorial, que fica dentro do próprio cemitério. A iniciativa promoveu a inserção das cinzas de cada integrante em um vaso biodegradável de sementes de jacarandá.
As famílias dos músicos fizeram uma cerimonia de plantio das sementes nas urnas biodegradáveis nesta tarde. As mudas ficarão de 12 a 24 meses em um centro de incubação, até serem plantadas definitivamente no memorial. Elas serão acompanhadas por uma equipe especializada desde a germinação até o plantio.
A cerimônia, nessa segunda, foi fechada aos familiares dos músicos, mas o memorial será aberto à visitação. Ele se encontra logo atrás do túmulo dos Mamonas, com o símbolo da banda e a Brasília Amarela original, usada em clipes e gravações. Participaram da cerimônia Claudia, cunhada do Bento; Grace, Jorge e Alecsandra, que são irmã, primo e sobrinha de Dinho; Ana Paula, irmã de Júlio; e integrantes da família Reoli, de Samuel e Sergio.
“A gente espera que todo mundo aproveite esse espaço e esse processo junto com a família”, disse Jorge Santana, primo de Dinho.
Cada jacarandá, representando cada um dos integrantes, terá futuramente um totem com QR Code para se acessar fotos, vídeos e relatos sobre a banda. A proposta é preservar a memória dos artistas e transformar o local em um ponto de encontro para fãs e visitantes.
“Eu nasci três meses depois que meu tio faleceu, então tudo que eu conheço dele é através dos meus familiares e dos fãs, pelas histórias dos fãs”, disse Alecsandra Alves, sobrinha do Dinho, após a cerimônia.
Itens encontrados nos caixões após exumação, como o casaco de Dinho e a pelúcia de Bento Hinoto, também estão expostos no espaço.
Relembre o acidente
Na noite do dia 2 de março de 1996, o avião em que os Mamonas viajavam colidiu com a Serra da Cantareira, ao norte da cidade de São Paulo, após ter arremetido em uma tentativa de pouso no Aeroporto de Guarulhos. A banda acabava de sair de um show em Brasília.
A aeronave iniciou o procedimento para a tentativa de pouso, mas a distância de aproximação era inadequada. Assim, o piloto executou uma arremetida, ou seja, desistiu da aterrissagem e voltou a acelerar para ganhar altura novamente. Nesse ponto, aconteceu o erro decisivo: o procedimento exigia uma curva à direita, mas a tripulação realizou curva à esquerda e o jato colidiu contra a Serra da Cantareira.
Estavam a bordo o vocalista Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além de integrantes da equipe e da tripulação. Todos morreram.
O grupo lançou apenas um álbum, em junho de 1995, que alcançou enorme popularidade, vendendo milhões de cópias e conquistando principalmente o público jovem. O show em Brasília, no Estádio Mané Garrincha, foi o último de uma turnê nacional e reuniu cerca de 4 mil pessoas.
A maioria da população soube da tragédia ao acordar no domingo, pelos jornais e programas na televisão. As imagens dos destroços foram exibidas repetidamente nos telejornais, em repercussão nacional, o que causou um questionamento sobre os limites éticos da televisão.
O velório ocorreu no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo local e mais de cem mil acompanharam o cortejo até o cemitério.
