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Trump adverte Taiwan contra proclamação de independência: “Se acalme”

A China considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para promover a reunificação. (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não quer que Taiwan faça uma declaração formal de independência, após reunião com o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim.

“Não queremos que alguém pense: ‘vamos declarar independência porque os Estados Unidos nos apoiam’”, disse Trump em entrevista à Fox News na sexta-feira (15). O republicano afirmou ainda que deseja que “Taiwan se acalme” e que “a China se acalme”, acrescentando que não quer ver uma escalada militar envolvendo a ilha.

Taiwan respondeu neste sábado (16), às declarações do presidente americano e afirmou que já é uma nação “democrática, soberana e independente”. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores taiwanês declarou que o território “não está subordinado à República Popular da China”.

A fala de Trump ocorre após Xi Jinping reforçar ao presidente americano que a questão de Taiwan é “a mais importante” na relação entre Pequim e Washington. Segundo a imprensa estatal chinesa, o líder chinês afirmou que um tratamento inadequado do tema pode levar os dois países a “colidirem” ou até entrarem em “conflito”.

A China considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para promover a reunificação. Já a ilha, governada de forma autônoma e democrática, mantém apoio militar e político dos EUA, embora Washington reconheça oficialmente apenas Pequim.

Questionado sobre uma possível venda de armas americanas a Taiwan, Trump afirmou que ainda tomará uma decisão sobre o assunto. O tema é um dos principais pontos de tensão entre chineses e americanos. Pela legislação dos EUA, Washington deve fornecer meios para a defesa da ilha, mas mantém ambiguidade sobre eventual intervenção militar em caso de ataque chinês.

Antes da reunião entre os líderes, Trump havia sinalizado que discutiria com Xi o tema das vendas de armamentos, o que representa uma mudança em relação à posição tradicional dos EUA de não consultar Pequim sobre acordos militares com Taiwan.

O governo taiwanês ressaltou neste sábado que as vendas de armas fazem parte do compromisso de segurança firmado pelos Estados Unidos com a ilha. Recentemente, o Parlamento local aprovou um pacote de US$ 25 bilhões em gastos militares, parte dele voltado à compra de equipamentos americanos.

Apesar das tensões sobre Taiwan, Trump e Xi também buscaram demonstrar aproximação durante a visita oficial do presidente americano à China. Trump afirmou ter fechado acordos comerciais “fantásticos” com Pequim, incluindo um compromisso preliminar para a compra de 200 aeronaves da Boeing.

Os dois líderes também discutiram a guerra envolvendo o Irã. Segundo Trump, Xi afirmou ser contrário a que Teerã obtenha armas nucleares e demonstrou interesse em ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Xi classificou o encontro como “histórico” e afirmou que os países estabeleceram uma relação de “estabilidade estratégica construtiva”, em meio às tentativas de reduzir atritos entre as duas maiores economias do mundo. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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