O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou otimismo quanto às perspectivas de um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, apesar de afirmar que nada mudou em relação ao conflito.
Ao falar ao lado do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara — onde ocorre a cúpula da Otan deste ano —, Trump disse ter tido uma “conversa muito boa” com o presidente russo, Vladimir Putin, na segunda (6), e que também falou com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky.
“Acho que ambos querem fazer um acordo. É uma pena que tenha demorado tanto, mas acho que vai acontecer — algo vai sair disso”, disse Trump.
“Ambos (Putin e Zelensky) querem resolver a questão agora… Acho que vamos conseguir resolver. Espero que seja em breve”, acrescentou o presidente.
Ao ser questionado se algo havia mudado para que ele tivesse essa opinião, inclusive se Putin estaria aberto a concessões, o líder americano respondeu que sua opinião “nunca mudou”.
“Eu simplesmente não quero que eles continuem matando pessoas”, acrescentou Trump, em referência ao número de pessoas que, segundo relatos, são mortas no conflito todos os meses.
“Isso não nos afeta… Afeta muito mais a Europa. Estamos lá para ajudar a Europa, mas isso não afeta os Estados Unidos. Temos um oceano entre nós. Mas, sabe, é que não suporto ver o que está acontecendo”, disse ele.
O presidente americano disse aos repórteres que viu imagens de campos de batalha do conflito, afirmando que “as pessoas não acreditariam no nível de violência”. “Nunca vi nada parecido. É uma carnificina e isso precisa acabar”, continuou Trump.
Sanções
Em outra frente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nessa terça-feira que Washington vai retirar as sanções impostas à Turquia após a compra de um sistema russo de defesa antimísseis que levou Ancara a ser excluída do programa dos caças F-35. A declaração foi feita durante sua chegada à capital turca para a cúpula da Otan, em um movimento que pode abrir caminho para o retorno do país ao projeto americano, uma das principais prioridades do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Trump afirmou que a venda dos caças F-35 à Turquia é “certamente algo que vamos considerar”, acrescentando que seu governo trabalha para remover as sanções impostas com base na Lei de Combate aos Adversários da América por Meio de Sanções. Segundo o New York Times, que cita quatro altos funcionários do governo Trump, o presidente tentará autorizar a venda contornando a legislação existente e o Congresso, que poderia se opor à decisão.
“Vamos retirar as sanções, certo?”, disse Trump durante reunião com Erdogan no palácio presidencial em Ancara.
A Turquia foi retirada do programa do F-35 em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, depois de adquirir sistemas de defesa aérea S-400 da Rússia. Na época, Washington afirmou que o equipamento russo poderia permitir que Moscou coletasse informações sobre a tecnologia furtiva do caça americano e suas capacidades militares.
Ainda existem obstáculos legais para que a Turquia seja plenamente reintegrada ao programa. Uma lei aprovada pelo Congresso americano em 2020 bloqueia a venda de F-35 a menos que o governo conclua que a Turquia não possui mais os sistemas russos. De acordo com um dos americanos envolvido nas negociações, os S-400 da Turquia — muitos dos quais ainda estão em seus contêineres de transporte — poderão ser entregues a um terceiro país. As informações são da CNN e do jornal O Globo.
