O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que irá conversar com o presidente Lula após a vitória do petista, mas voltou a criticar as eleições no brasileiras. Na quarta-feira, 28, Flávio Bolsonaro chegou aos EUA após ser derrotado nas urnas. Já em solo americano, o senador divulgou uma carta golpista na qual se autodeclarou “verdadeiro presidente eleito” do Brasil.
Ao ser questionado por jornalistas sobre a vitória de Lula, Trump classificou o pleito como “uma vergonha”.
“Não quero comentar sobre isso neste momento, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro […] Achei que foi uma situação muito vergonhosa para o Brasil”, disse.
Após a chegada de Flávio, nessa quarta-feira, Trump afirmou que não iria se envolver na turbulência pós-eleitoral no Brasil.
“Bem, não vou fazer comentários sobre isso, mas sei que demos a ele permissão para entrar no país. Então, vamos ver”, disse Trump a repórteres. “Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo.”
Questionado sobre por que seu governo decidiu permitir a entrada de Flávio e sua família no país, Trump declarou: “Acho que foram tratados de forma muito injusta. Não tomei posição sobre a eleição, como vocês sabem, mas, quando vejo algo que é inapropriado, eu digo”.
Flávio agradece
Flávio divulgou nesta quarta-feira uma carta em que agradece a Trump a ao presidente da Argentina, Javier Milei. Em tom golpista, o senador se autodeclara como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. É a primeira vez que ele se manifesta após deixar o País.
Flávio foi derrotado no último domingo, 25, no segundo turno das eleições. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou um quarto mandato inédito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do adversário. O candidato do PL não reconheceu a derrota nas urnas e deixou o País.
A vitória de Lula foi reconhecida pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na noite do último domingo, 25. O Partido Liberal (PL) e o vice de Flávio na chapa derrotada, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), também atestaram o resultado das urnas.
Flávio havia sido intimado na segunda-feira, 26, para entregar seus passaportes em até 24 horas. A ordem se deu em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do senador com o advogado Willer Tomaz. O prazo venceu e Flávio não compareceu. A Polícia Federal comunicou o descumprimento ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle.
Flávio deixou o Brasil com sua mulher e as duas filhas do casal de carro via Foz do Iguaçu na terça-feira, 27. A família embarcou em um jato particular no Aeroporto Internacional de Cataratas del Iguazu, na Argentina, e desembarcou em Miami nesta quarta-feira, pouco depois das 10h30, pelo horário de Brasília.
Flávio usou o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático para os EUA. A PF já havia cancelado os documentos brasileiros, que não poderiam ter sido usados.
Antes da fuga, o senador prometeu “pedir a anulação” do segundo turno no domingo, em entrevista a jornalistas, e buscar a cassação da chapa de Lula e Alckmin na segunda.
(Com O Estado de S.Paulo)
