O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nessa quarta-feira (3) que tem uma “boa relação com o Brasil” atualmente. Ele não citou, no entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e disse ter ajudado “muita gente a ser eleita na América do Sul” recentemente.
Em entrevista a jornalistas na Casa Branca, Trump afirmou ainda que as relações dos EUA com toda a América do Sul têm melhorado e citou, como motivo, que “estão todos indo para a direita”.
“Eles deixaram a esquerda e foram para a direita; estão todos indo para a direita. Temos um bom relacionamento com o Brasil. Na verdade, temos um bom relacionamento com praticamente todos eles agora. Eles têm muito respeito pelo nosso país. Eles não respeitavam nosso país nem um pouco há dois anos, então estamos indo muito bem na América do Sul, na América Latina”, afirmou.
Questionado se pretende construir bases militares na América do Sul por conta das recentes parcerias com governos de países como Colômbia e El Salvador, Trump não respondeu especificamente. Mas citou a influência que afirma que vem tendo em eleições no continente.
“Temos muitas pessoas – na Argentina, por exemplo, há muitas pessoas que ajudei a eleger – e essa parte do nosso hemisfério está realmente se tornando muito diferente do que era”, afirmou o norte-americano.
“Boa relação com o Brasil”
A manifestação de Trump ocorre em um momento de reaproximação entre os governos, depois de meses de tensão provocados principalmente pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Na conversa telefônica de agosto, Lula e Trump discutiram a relação comercial entre os dois países, o combate ao crime organizado e conflitos internacionais. O contato, que durou cerca de uma hora e 20 minutos, foi classificado pelo governo brasileiro como cordial. Na ocasião, Lula defendeu a retomada das negociações comerciais e questionou as justificativas apresentadas pelo governo americano para a aplicação das tarifas.
Após a conversa entre os presidentes, representantes dos dois governos retomaram as negociações. A equipe de Trump recebeu a determinação de buscar um acordo com o Brasil, abrindo novamente um canal formal de diálogo sobre as tarifas e outros pontos da relação bilateral. Até o momento, porém, não houve anúncio de um acordo definitivo ou de mudanças nas cobranças aplicadas aos produtos brasileiros.
O governo brasileiro tenta ampliar a lista de produtos brasileiros que ficaram fora das tarifas impostas pelos Estados Unidos. As medidas americanas atingem uma parcela relevante das exportações brasileiras e se tornaram um dos principais pontos de atrito entre os dois países.
A relação também foi afetada por divergências políticas. Integrantes do governo Trump fizeram críticas a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), à atuação das autoridades brasileiras e a questões relacionadas ao sistema eleitoral. O governo Lula, por sua vez, defendeu a soberania brasileira e afirmou que as decisões sobre assuntos internos cabem às instituições do país.
Durante a conversa com Trump, Lula também defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e afirmou que o processo de votação segue normalmente. O tema eleitoral, no entanto, não teria sido o principal assunto da ligação, que teve como foco a tentativa de reconstrução das relações entre os dois governos.
