O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (19) que está dando a si mesmo um prazo de “dez dias” para decidir se um acordo com o Irã é possível e alertou que, caso contrário, “coisas ruins acontecerão”. Washington e Teerã, que retomaram o diálogo no início de fevereiro pela primeira vez desde a guerra de 12 dias de junho de 2015, já realizaram duas rodadas de negociações.
No entanto, ambos os lados continuam a trocar ameaças em meio à escalada da atividade militar: os Estados Unidos intensificaram seu destacamento no Oriente Médio e o Irã está realizando exercícios no Golfo de Omã juntamente com a Rússia.
“Ao longo dos anos, ficou demonstrado que não é fácil chegar a um acordo significativo com o Irã. Precisamos chegar a um acordo significativo, caso contrário, coisas ruins acontecerão”, declarou Trump.
Ele alertou que Washington “pode ter de ir além” se nenhum acordo for alcançado, acrescentando: “Vocês provavelmente saberão nos próximos 10 dias”. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, alertou na quarta-feira, 18, que existem “muitas razões e argumentos que poderiam ser usados para justificar um ataque ao Irã”.
Israel, aliado dos EUA e inimigo do Irã, também emitiu um novo alerta: “Se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, receberão uma resposta que nem sequer podem imaginar”, advertiu o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.
O principal ponto de discórdia é o programa nuclear iraniano. Sob pressão, o Irã defendeu novamente na quinta-feira “seu direito” de enriquecer urânio para fins civis, especialmente para geração de energia.
“Nenhum país pode privar o Irã do direito de se beneficiar pacificamente dessa tecnologia”, reafirmou o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami. O Irã afirmou na quarta-feira que está “desenvolvendo uma estrutura” para avançar nas negociações com Washington.
Embora ambos os lados tenham expressado a disposição de continuar o diálogo, também discordam sobre o conteúdo das discussões. O Irã, que nega estar em busca da bomba atômica — como acusado por países ocidentais e Israel —, quer limitar as negociações ao seu programa nuclear e exige a suspensão das sanções que estão prejudicando sua economia.
Mas, para Washington, um acordo deve incluir a questão do programa iraniano de mísseis balísticos, bem como o fim do apoio iraniano a grupos armados hostis a Israel no Oriente Médio. Nas últimas semanas, Trump intensificou as ameaças de ataques, primeiro em reação à repressão do governo iraniano a uma onda de protestos e, em seguida, para forçar um acordo.
A CNN e a CBS noticiaram que as forças armadas dos EUA estavam preparadas para lançar ataques contra o Irã a partir deste fim de semana, embora o presidente americano ainda não tivesse tomado uma decisão. Diante dessa “escalada de tensões sem precedentes”, a Rússia pediu moderação.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reuniu-se na quarta-feira com Rafael Grossi, diretor-geral argentino da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável por verificar a natureza pacífica das atividades nucleares do país.
O Irã havia suspendido sua cooperação com a agência da ONU e restringido o acesso de seus inspetores às instalações afetadas após a guerra iniciada por Israel no ano passado, durante a qual os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
