O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nessa quarta-feira (26) que é hora de “dar uma lição” ao Canadá, poucos dias depois de as negociações comerciais entre os dois países fracassarem. “Eu tinha um acordo, que era um acordo muito bom, sabe, bastante bom”, disse Trump em entrevista ao apresentador Glenn Beck.
“Eles não têm nada que nós precisemos, certo? Podemos nos virar. Quer dizer, há algumas coisas que tornariam isso um pouco inconveniente, mas podemos consegui-las em outros lugares. E é hora de ensinar ao Canadá que não pode mais fazer isso.”
Trump impôs no sábado novas tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos importados do Canadá, depois do fracasso das negociações entre os dois países.
Tarifas de retaliação
O Canadá reagiu na terça-feira com tarifas de retaliação sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos americanos importados anualmente, além de medidas de auxílio a empresas e trabalhadores. As tarifas canadenses, equivalentes às novas taxas impostas por Washington, entrarão em vigor em 8 de setembro.
Trump também anunciou tarifas de 50% sobre carros e autopeças canadenses, que começarão a valer em 1º de janeiro. O Canadá afirmou que a recusa dos EUA em estender a isenção tarifária para veículos médios e pesados foi uma das razões para o fracasso do acordo.
A Embaixada do Canadá em Washington não comentou imediatamente a declaração de Trump.
Acordo vantajoso
O conselheiro da Casa Branca Peter Navarro afirmou nessa quarta-feira que o acordo que o Canadá eventualmente fechar com os EUA será pior do que a proposta apresentada na semana passada.
“Isso simplesmente não vai terminar bem para o Canadá. E eu prevejo que o acordo que vocês receberam, ao qual deram as costas, nunca mais estará disponível”, disse Navarro à emissora C-SPAN. “O que quer que consigam será menos do que aquilo.”
Navarro acrescentou que a proposta americana ao Canadá o deixou “desconfortável”, dado o quanto considerava o acordo vantajoso para o país vizinho.
“Economicamente, não havia como eles recusarem”, afirmou. As informações são da agência de notícias Reuters.
