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Donald Trump diz que vai reduzir “algumas tarifas sobre o café”; Brasil seria o maior beneficiado

A declaração foi feita em entrevista à emissora Fox News, sem que o governo norte-americano apresentasse detalhes sobre a medida. (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país pretende reduzir algumas tarifas sobre as importações de café. A declaração foi feita em entrevista à emissora Fox News, sem que o governo norte-americano apresentasse detalhes sobre quando ou de que forma a medida será aplicada.

A redução das tarifas deve beneficiar especialmente o Brasil, principal exportador de café para o mercado americano. A sinalização ocorre em meio às negociações diplomáticas entre os dois países e pode representar um avanço nas relações comerciais bilaterais.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou nessa quarta-feira (12) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e disse que o governo Lula encaminhou no início de novembro uma proposta negociadora aos americanos. Rubio foi designado pelo presidente Donald Trump o principal negociador dos EUA para o tarifaço aplicado contra o Brasil, que afetou uma gama de produtos com uma sobretaxa de até 50%.

De acordo com membros do Itamaraty que acompanham o tema, Vieira e Rubio se encontraram à margem de uma reunião do G7 em Niagara-on-the-lake, no Canadá. Vieira disse a Rubio que o Brasil encaminhou, em 4 de novembro, uma proposta de negociação ao governo americano. Rubio e Vieira também concordaram em agendar uma nova reunião em breve.

Nos Estados Unidos, os preços do café registraram alta de quase 21% em agosto, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Analistas atribuem parte dessa elevação às tarifas impostas pela atual administração. Desde julho, o café brasileiro foi alvo de uma das taxações mais altas, de 50%, enquanto o produto vindo do Vietnã foi tarifado em 20% e o da Colômbia em 10%.

De acordo com a Associação Nacional do Café (NCA), os Estados Unidos importam mais de 99% do café que consomem. O Brasil é o principal fornecedor, responsável por 30,7% das importações americanas, conforme dados do banco de dados internacional UN Comtrade. Em seguida, aparecem a Colômbia (18,3%) e o Vietnã (6,6%).

Reversão e impacto 

O governo brasileiro já havia solicitado, em outubro, a reversão da alíquota extra de 40% aplicada aos produtos nacionais. A decisão de Washington de reavaliar as tarifas é vista por especialistas como um gesto de aproximação comercial em um momento de pressão inflacionária no mercado americano.

Nos últimos meses, cafeterias e redes de varejo nos EUA têm relatado aumento de custos e repassado parte dos reajustes ao consumidor final. Para o Brasil, uma eventual redução das tarifas pode reforçar a competitividade do café nacional e abrir espaço para ampliar exportações de grãos especiais e torrados, segmentos que vêm ganhando força no comércio exterior.

Com a revisão das tarifas, o governo brasileiro espera ainda reduzir tensões comerciais e consolidar o país como parceiro estratégico no fornecimento de commodities agrícolas aos Estados Unidos.

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