O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou os protestos na França e afirmou que a imigração de pessoas de culturas diferentes, segundo ele com “ódio no coração”, destruiu o país. Em publicação na rede social Truth Social, neste domingo (18), o republicano defendeu o fechamento das fronteiras francesas e pediu que o governo retome o controle migratório antes que seja tarde demais.
“A França está em chamas! A imigração de pessoas vindas de um mundo completamente diferente — pessoas com ódio no coração — destruiu o que um dia foi um grande país. Fechem as fronteiras e retomem o controle, antes que seja tarde demais!”, escreveu Trump.
Os protestos na França começaram no fim de setembro, em apoio a estudantes e professores que reivindicavam melhores condições nas escolas, mais funcionários e recursos para a educação. As manifestações cresceram e passaram a reunir diferentes setores da sociedade, com críticas ao custo de vida, à redução de serviços públicos e às desigualdades sociais.
No sábado (17), os atos ganharam grandes proporções em diversas cidades francesas e foram acompanhados por confrontos, incêndios e saques. Segundo a agência Reuters, mais de 2 mil pessoas foram presas e mais de 600 policiais e outros integrantes das forças de segurança ficaram feridos. Os números foram divulgados pelas autoridades francesas após os episódios de violência.
A mobilização reuniu entre 550 mil e 800 mil pessoas em todo o país, segundo estimativas das autoridades e dos organizadores, respectivamente. Embora grande parte das manifestações tenha ocorrido de forma pacífica, grupos envolvidos em episódios de violência atacaram estabelecimentos comerciais, veículos e prédios públicos. Em Limoges, no sudoeste da França, a sede da prefeitura foi atingida por um incêndio e sofreu grandes danos.
Os protestos também aumentaram a pressão sobre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. O Executivo atribuiu os episódios violentos à atuação de grupos de extrema esquerda e de criminosos, enquanto prometeu responsabilizar os envolvidos nos ataques. Macron tinha pronunciamento previsto para a noite deste domingo, diante da dimensão da crise e dos danos registrados em diferentes cidades.
As manifestações, que inicialmente estavam concentradas nas reivindicações por melhorias na educação, transformaram-se em um movimento mais amplo de insatisfação com a situação econômica e os serviços públicos. O governo francês enfrenta dificuldades para conter a mobilização em meio ao aumento do custo de vida e às críticas à condução das políticas públicas.
As declarações de Trump associam a crise francesa à imigração, mas as informações divulgadas sobre a origem dos protestos apontam reivindicações relacionadas à educação, ao custo de vida e aos serviços públicos. O presidente americano não apresentou evidências que comprovem uma relação entre a imigração e os episódios de violência registrados durante as manifestações.
