O presidente Jair Bolsonaro citou nesta quinta-feira (5) o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ao comentar que fará de tudo para garantir a liberdade dos brasileiros, em meio à escalada da crise com o Poder Judiciário.
“Quando assumi a Presidência, entreguei na mão de Deus a minha vida. Tudo farei, prezado Braga Netto, para garantir, com todo respeito aos médicos, um bem mais sagrado que a própria vida, que é a nossa liberdade”, disse.
Em discurso na cerimônia de entrega das Medalhas da Ordem do Mérito Médico e Mérito Oswaldo Cruz, no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que há “interesses externos e internos” fazem com que além de seus deveres diários tenha que pensar em pessoas que desejam o que chamou de cadeira do poder por ambição e interesse de outras nações.
Nos últimos dias, a tensão entre o presidente e a cúpula do Judiciário aumentou, em meio a questionamentos, infundados, do chefe do Executivo sobre a lisura das urnas eletrônicas e até ameaças de que poderia não aceitar o resultado do pleito no próximo ano.
Mesmo não estando dentro das atribuições do Ministério da Defesa, Braga Netto — citado pelo presidente no discurso — é um dos que se mostrou publicamente favorável à discussão sobre a eventual adoção do voto impresso para urnas eletrônicas.
Inquérito
O presidente Jair Bolsonaro reagiu à decisão de Alexandre de Moraes de incluí-lo na investigação do inquérito das fake news e acusou o ministro do STF de atuar fora das “quatro linhas da Constituição”. A determinação ocorreu após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso, ter enviado à Corte uma notícia-crime relatando as declarações feitas por Bolsonaro em uma transmissão ao vivo, na semana passada.
“O ministro Alexandre de Moraes abriu um inquérito de mentira, me acusando de mentiroso. É uma acusação gravíssima. Ainda mais num inquérito sem qualquer embasamento jurídico. Não pode começar por ele.. Ele abre, apura e pune? Sem comentários. Isso está dentro das quatro linhas da Constituição? Não está. Então o antídoto não está dentro das quatro linhas da Constituição. Ninguém é mais macho que ninguém”, afirmou Bolsonaro, em entrevista ao programa “Os Pingos Nos Is”, na rádio Jovem Pan.
O presidente não explicou o que seria jogar fora das “quatro linhas” e repetiu algumas vezes esse argumento durante a entrevista, de mais de duas horas. Segundo ele, a investigação é precipitada.
“Estão se precipitando. Um presidente da República pode ser investigado? Pode. Num inquérito que comece no Ministério Público e não diretamente de alguém interessado. Esse alguém vai abrir o inquérito, como abriu? Vai começar a catar provas e essa mesma pessoa vai julgar? Olha, eu jogo dentro das quatro linhas da Constituição. E jogo, se preciso for, com as armas do outro lado. Nós queremos paz, queremos tranquilidade. O que estamos fazendo aqui é fazer com que tenhamos eleições tranquilas ano que vem”, afirmou.
