Ícone do site Jornal O Sul

Tumulto no comércio marítimo faz disparar custos de exportações

O comércio global de bens crescerá 3,3% neste ano e 4,0% em 2016, menos do que projetado anteriormente, devido principalmente ao fraco crescimento econômico.

A nova etapa de bonança econômica, consequência da alta nos preços das commodities minerais e agrícolas, criou tumulto no fluxo mundial de navios de carga. Faltam navios e contêineres, sobra congestionamento nas rotas e os preços dos fretes marítimos dispararam.

O aumento médio foi de 93% nos últimos 3 meses, informaram 90 grandes empresas exportadoras brasileiras à Talura, especializada em fretes. Mas há casos em que o valor cobrado no transporte internacional simplesmente triplicou, constatou Arthur Lee, responsável pela seção de Desenvolvimento e Marketing, ao analisar os resultados.

A dificuldade para embarcar mercadorias é crescente desde março para sete de cada dez empresas consultadas. Mais da metade (57,3%) informaram ter perdido contratos de venda no exterior por causa disso.

Na origem das perdas, as empresas destacaram o alto custo da operação de armazenamento e transporte (40%) e o aumento do tempo para a carga chegar ao destino (30%).

As dificuldades se multiplicam para os exportadores brasileiros porque são poucos os portos disponíveis e é muito alta a concentração em Santos, para onde convergem quase metade das cargas para transporte ao exterior. No Brasil, os custos portuários estão bem acima da média mundial, mas fazer o embarque por Santos acaba sendo relativamente mais barato entre os portos nacionais.

Todas as previsões são de que esse tumulto no comércio marítimo internacional vai prosseguir pelo menos até o próximo ano, com o custo dos fretes em alta. (As informações e análise são de José Casado/Veja.)

Retaliação da China

Cada nova notícia vinda da China sobre a retaliação à empresa Didi Global, deixa os executivos do aplicativo 99 no Brasil em completa apreensão. A chinesa Didi é dona do 99 e o medo é que os negócios no Brasil, que estão em expansão para a área de delivery e serviços de pagamentos, possam acabar sendo afetados. A mais nova notícia, segundo o jornal Wall Street Journal, é que o órgão regulador chinês ordenou que as lojas de aplicativos removam mais de 25 aplicativos da Didi, incluindo o aplicativo de financiamento e de carona. A justificativa é sempre a mesma: coleta ilegal de dados das pessoas. A Didi começou a sofrer com os órgãos reguladores chineses depois que abriu o capital na Nasdaq, há cerca de duas semanas.

Segundo advogados especialistas no assunto, o problema é que a China não está dando explicação sobre como a empresa estaria violando a proteção de dados. Um dos motivos que pode estar por trás da investida do governo chinês é o fato de que os Estados Unidos fizeram uma lei obrigando as empresas estrangeiras que abrirem capital no país a entregar os relatórios de autoria de suas matrizes. Já a China lançou uma lei de proteção de dados, que impede a entrega de informações que sejam “de interesse nacional”, colhidas na China, sem autorização do governo central. Em 2025, estima-se que a China será dona de um terço dos dados gerados do mundo e e ela não quer dividir esse poder, muito menos com os Estados Unidos.

A 99 enviou a seguinte nota: “A 99 reafirma seu compromisso de longo prazo com o desenvolvimento do Brasil e em ajudar a tornar a vida das pessoas mais fácil e segura por meio de seus negócios, seja em mobilidade, pagamentos ou entrega de comida. Tanto que no ano passado, mesmo em um cenário complexo causado pela pandemia da Covid-19, investimos mais de R$ 150 milhões no lançamento de novos produtos, novos recursos de segurança e suporte aos motoristas parceiros. A nossa estratégia de crescimento para este ano mantém-se inalterada e está centrada na eficiência, capilaridade e sustentabilidade do negócio, bem como no impacto positivo na sociedade.”

Sair da versão mobile