O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, relatou nesse domingo (7) um ataque de forças militares da Rússia a um depósito de combustível nuclear localizado próximo à usina de Chernobyl, a cerca de 130 quilômetros da capital Kiev e palco do maior acidente envolvendo energia atômica, em 1986. Ele classificou a ofensiva de “extremamente vil”.
“Hoje, os russos novamente atacaram o território especial ao redor da Usina Nuclear de Chernobyl. Um drone do tipo ‘shahed’ atingiu um dos prédios da Instalação Centralizada de Armazenamento de Combustível Usado”, escreveu na rede social X (ex-Twitter). “Trata-se de uma instalação de infraestrutura extremamente crítica.”
A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) confirmou ter recebido informações sobre o incidente. Disse, ainda, que o impacto causou danos significativos ao prédio de recepção de combustível da instalação, e edifícios próximos também foram afetados pela onda de choque.
Os níveis de radiação permanecem dentro dos estabelecidos, ressalvam autoridades ucranianas. Uma equipe da Aiea deve visitar em breve as instalações, para inspecionar o impacto e suas consequências.
Tragédia de 40 anos
A Usina Nuclear de Chernobyl, localizada na Ucrânia, foi palco do maior desastre nuclear da história, em 26 de abril de 1986. Durante testes de segurança, houve uma falha catastrófica que ejetou a tampa do reator número 4 e causou um incêndio que durou dez dias, liberando nuvem radioativa por toda a Europa.
Construída a cerca de 3 quilômetros da usina para abrigar seus trabalhadores, a cidade de Pripyat foi totalmente evacuada e permanece vazia desde então. Oficialmente, 31 pessoas morreram imediatamente após a explosão ou por consequência da Síndrome Aguda da Radiação.
No entanto, agências como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU) estimam que o total de mortes indiretas (devido a câncer, leucemia e outras doenças causadas a longo prazo pela radiação possa chegar a 9 mil.
Atualmente, as instalações continua ativa para gerenciar resíduos radioativos e depende de um escudo de contenção e monitoramento constante devido a danos sofridos recentemente em meio ao conflito na região.
A usina não gera mais energia desde 2000, mas permanece em funcionamento sob a gestão da Agência Estatal da Ucrânia para a Gestão de Zonas de Exclusão. Cerca de 2.250 funcionários trabalham no local em turnos, e a segurança é fortemente monitorada pela Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
O reator número 4, que explodiu em 1986, está protegido pelo Novo Confinamento Seguro (NSC), estrutura de aço inaugurada para durar um século. No entanto, ataques recentes danificaram parte da membrana externa do escudo, o que exige reparos urgentes para evitar a corrosão. (com informações do portal G1)
