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Ucrânia receberá novos mísseis de longo alcance, drones de ataque, blindados e tanques para cortar as rotas de abastecimento russas

Arsenal também servirá para atacar os sistemas de artilharia e centros de comando no sul e leste da Ucrânia. (Foto: Reprodução)

Novos mísseis de longo alcance, drones de ataque, tanques e blindados cedidos pelo Ocidente à Ucrânia, que devem chegar nos próximos dias, serão suficientes para que o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, finalmente lance sua contraofensiva, segundo analistas militares.

Pelo menos parte da última leva de armas ocidentais será enviada rapidamente para as linhas de frente em uma tentativa de cortar as rotas de abastecimento russas. Elas também serão úteis para atacar os sistemas de artilharia e centros de comando no sul e leste da Ucrânia.

Outras armas provavelmente serão entregues mais tarde para ajudar Zelenski a planejar operações futuras, caso a guerra se arraste – o que parece provável. O pacote anunciado durante o giro de Zelenski por quatro capitais europeias significa que o Ocidente acredita que a Ucrânia tenha condições de retomar parte do seu território ocupado.

“Não nos comprometeríamos a enviar esse volume de armas para a Ucrânia neste momento se pensássemos que seu sucesso é improvável”, disse Jacob Funk Kirkegaard, pesquisador do German Marshall Fund, em Bruxelas, e ex-funcionário da inteligência dinamarquesa.

Autoridades ocidentais esperam que, se os ucranianos tiverem ganhos substanciais de território, eles teriam mais influência em qualquer negociação de paz.

Na semana passada, Zelensky alertou que a contraofensiva contra a Rússia, prevista para começar nesta primavera boreal ou no início do verão, poderia ser adiada caso Kiev não recebesse mais armas. Semanas antes, documentos vazados do Pentágono indicavam preocupações americanas com a capacidade ucraniana de se defender, acentuada pela escassez de munições e pela superioridade numérica dos soldados russos, apesar das grandes baixas.

Os russos também se prepararam melhor para esta contraofensiva, com uma linha de defesa que se estende por aproximadamente 800 km. Também tem, contudo, intensas vulnerabilidades, uma das razões pelas quais a geografia da guerra pouco mudou nos últimos meses – relatos de avanços ucranianos em Bakhmut, palco da batalha mais sangrenta da guerra, nas últimas semanas acenderam sinais amarelos.

Os europeus, contudo, responderam às preocupações de Kiev, com o compromisso mais contundente vindo da Alemanha, onde Zelensky esteve no sábado. Pouco antes de o mandatário ucraniano pousar, o chanceler Olaf Scholz e sua coalizão tripartite anunciaram o envio de mais 30 tanques Leopard ao país aliado, além de 20 blindados, 16 sistemas de defesa aérea, mais de 200 drones e outras armas e munições.

Os líderes da França, Emmanuel Macron, e da Itália, Giorgia Meloni, fizeram promessas mais vagas de enviar tanques, munições e sistemas de defesa aérea.

Os Leopards e blindados adicionais que a Alemanha enviará como parte de seu pacote de 2,7 bilhões de euros (R$ 14,4 bilhões) serão mais úteis no sul da Ucrânia, onde o terreno controlado pela Rússia, disse Kirkegaard, é mais adequado “para guerra de tanques ou manobras”.

Mas Max Bergmann, diretor do programa para Europa, Rússia e Eurásia no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, observou que não estava claro se todos os tanques alemães recém-prometidos chegariam em breve. Berlim até agora já entregou 18 tanques Leopard para a Ucrânia.

No entanto, disse ele, o compromisso de “ajuda dá à Ucrânia um certo grau de confiança” enquanto seus militares se preparam para uma batalha prolongada.

Até o início de março, apenas 31% dos tanques e 76% dos blindados prometidos pelo Ocidente haviam sido entregues à Ucrânia para a próxima contraofensiva, de acordo com avaliações militares dos EUA também vazadas recentemente. Autoridades, contudo, afirmam que mais artefatos foram entregues desde então.

O governo do presidente Joe Biden prometeu enviar 31 tanques Abrams, de fabricação americana, para a Ucrânia. Eles não devem chegar antes do terceiro trimestre, contudo.

Os novos sistemas de defesa aérea recém-prometidos podem ajudar a aliviar as preocupações americanas de que a Ucrânia não tem o suficiente para se proteger durante a contraofensiva. Quatro dos 16 sistemas de defesa aérea que a Alemanha disse na semana passada que doaria são considerados entre os mais sofisticados do mercado.

Os mísseis Storm Shadow de longo alcance, que o Reino Unido prometeu na quinta-feira, quebram um precedente que se perpetuava desde o início da guerra. Os países temem que os artefatos sejam usados para atacar diretamente o território russo, algo que poderia desencadear uma escalada na guerra. O medo é que isso caracterize cobeligerância. As informações são do jornal The New York Times.

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