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Um estudo inédito mostra os desafios do Rio Grande do Sul para ampliar a sua competitividade

Dados foram apresentados durante evento na UFRGS. (Foto: Carolina Greiwe/Seplag)

Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul tem registrado um crescimento importante no número de parques tecnológicos em operação. Mas o desenvolvimento de inovações se mantém como desafio importante para um Estado que precisa ampliar sua competitividade em comparação a outros centros industrializados, em especial por parte de investimentos das empresas em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias. Há um risco de diminuição no dinamismo da economia gaúcha se não houver um fortalecimento do sistema de inovação do RS.

Estes são alguns dos indicativos de um estudo inédito lançado nessa segunda-feira com o objetivo de apurar a evolução dos indicadores das capacitações em C&T (ciência e tecnologia) do sistema de inovação gaúcho. Desenvolvida por pesquisadores do DEE (Departamento de Economia e Estatística) da Seplag (Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão), a pesquisa “Análise de Indicadores das Capacitações Científicas e Tecnológicas do RS” teve a colaboração da Sict (Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia) e foi apresentada em evento no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, em Porto Alegre.

“É fundamental termos um diagnóstico mais abrangente sobre este tema, dada sua importância ao desenvolvimento da nossa economia”, salientou a titular da Seplag, Leany Lemos. “A capacidade para desenvolvermos inovações é determinante para a própria sobrevivência num mercado cada vez mais competitivo.” Ainda segundo ela, mesmo com o Estado em posição intermediária nesse quesito em nível nacional, é preciso focar em estados e países que alcançaram crescimento na medida em que conseguiram incorporar inovações em produtos e serviços: “Precisamos olhar para os melhores para avançarmos”.

Um ponto de alerta é a taxa de matrículas em cursos de graduação no grupo STEM (junção dos termos em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática). Mesmo em crescimento nos últimos anos, neste quesito o Rio Grande do Sul fica abaixo dos estados mais industrializados e numa distância maior ainda na comparação a países com destaque na economia mundial. “O desempenho na nossa formação STEM precisa ser melhorado, pois pode gerar falta de profissionais qualificados para as empresas”, alertou o pesquisador Rodrigo Morem, que atuou na elaboração do estudo.

A pesquisa aponta que a participação dos programas de pós-graduação em nível de excelência acadêmica coloca o Estado entre os três melhores no panorama dos mais industrializados do País (abaixo de São Paulo e Rio de Janeiro). Neste universo, algumas das universidades gaúchas igualmente figuram entre as melhores do país nas áreas de conhecimento vinculadas ao desenvolvimento de tecnologias, com destaque majoritário às instituições federais.

No entanto, a faixa líquida de alunos matriculados nos cursos de graduação nestas áreas de formação (STEM) coloca o Rio Grande do Sul abaixo dos estados das regiões Sul e Sudeste, ficando mais próximo do patamar de unidades com baixa atividade industrial. “Um sistema de inovação compreende diferentes atores, e todos precisam atuar suas capacitações nas atividades de ciência e tecnologia”, acrescentou Morem.

Após apresentar a lista das maiores corporações globais pelo valor de mercado, evidenciando com dados que o mundo mudou e, consequentemente, a economia, o titular da Sict, Luís Lamb, provocou os participantes do evento: “Quero deixar uma provocação, um desafio. Como a nova economia deve ser medida? Continuamos usando o PIB, um indicador de 1930, para mensurar produtividade, enquanto deveríamos medir conhecimento e quanto esse conhecimento gera riqueza”.

(Marcello Campos)

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