Segundo a tradição católica, um dos momentos mais dramáticos do suplício de Jesus ocorreu quando ele, já crucificado, teve o peito perfurado pela lança de um soldado romano. Pois na pequena cidade gaúcha de Nova Hartz, no Vale do Sinos, a encenação da “Paixão de Cristo” ganhou um ingrediente tragicômico nessa Sexta-Feira Santa.
A cena já causava comoção entre o público de mais de mil pessoas, quando um homem saiu correndo do meio da plateia e invadiu o palco, decidido a “dar um basta” no martírio de Jesus. Para isso, desferiu golpes com um capacete de motoqueiro na cabeça do ator Samir Rodrigues, que representava o centurião. Ele também recebeu chutes nas pernas e chegou a cair no chão.
Conforme relatos de quem presenciou o ataque, o agressor gritava algo como “não vou deixar Jesus morrer!”. Ele ainda trocou socos com um outro ator, antes de ser dominado no palco por membros da equipe. Em seguida, um irmão do homem intercedeu, com a justificativa de ele sofre de surtos psicóticos.
A peça chegou a ser interrompida, para que se verificasse se havia alguém machucado com gravidade. Como esse temor não se confirmou, minutos depois o elenco retomou normalmente a apresentação.
Segundo a Brigada Militar, a única viatura disponível em Nova Hartz na ocasião atendia uma ocorrência em outro município e, quando os policiais chegaram ao local, a situação já estava sob controle. Apesar do susto, as vítimas não se feriram.
Proteção
Curiosamente, o diretor do espetáculo, Adriano Ferreira, acredita que a agressão não resultou em maiores danos devido ao capacete. Não o do agressor, mas a réplica utilizada pelo intérprete do soldado romano: “Dias atrás, um empresário local forneceu capacetes novos ao elenco e isso acabou protegendo o Samir”.
Após a “poeira baixar”, espectadores que acompanhavam o espetáculo relataram que o agressor (cuja identidade ainda não foi confirmada) alegou que não sabia o que estava fazendo. “Mas na hora foi meio tenso”, desabafou a testemunha.
