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Um ministro do Tribunal Superior Eleitoral mandou arquivar a ação movida por deputados do PT contra Luciano Huck e Faustão

Participação do casal foi ao ar no dia 7 de janeiro. (Foto: Reprodução)

O ministro Napoleão Nunes Maia, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mandou arquivar a ação movida por deputados do PT contra a Rede Globo e os apresentadores Luciano Huck e Fausto Silva, o “Faustão”. Na avaliação do partido, houve campanha eleitoral antecipada durante a participação de Huck – acompanhado da mulher, a também apresentadora Angélica – no programa “Domingão do Faustão”, que foi ao ar no dia 7 de janeiro.

No entanto, o magistrado considerou que, como Huck já afirmou publicamente e reiterou à Justiça Eleitoral que não será candidato à Presidência da República, “inexiste qualquer elemento minimamente confiável que possa lastrear o pedido apresentado”.

“O Poder Judiciário analisa fatos e direitos postos nos autos, cuja veracidade, neste caso, é a de que o Representado Luciano Grostein Huck não é candidato no pleito de 2018, como ele afirma e reitera na sua defesa, integrada neste processo, perante esta Corregedoria Eleitoral”, diz a decisão.

O ministro também afirmou que os dois autores da ação, o deputado Paulo Pimenta (RS) e o senador Lindbergh Farias (RJ), “carecem de legitimidade ativa” para propor a ação, pois a legislação eleitoral determina que esse tipo de representação deve ser feita por “partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral”.

Defesa

A defesa de Luciano Huck havia informado ao TSE que ele “reitera que não será candidato no pleito deste ano”. Os advogados rebateram ponto a ponto a acusação e chegaram a mencionar a recente presença do presidente Michel Temer no programa dominical apresentado por Silvio Santos no SBT, a fim de defender a imagem do seu governo e a reforma da Previdência.

“Se a participação de Michel Temer em vários programas do SBT é admitida [ele também esteve no programa do apresentador Carlos ‘Ratinho’ Massa], “não há motivo para se pretender recriminar” seu cliente por defender, no Faustão, “a necessidade de renovação da carcomida política nacional”.

O argumento era de que a participação do chefe do Executivo em uma atração televisiva ser de exemplo para o pressuposto de que não é vedado tratar de política nas emissoras de TV. Ao que tudo indica, o TSE aceitou essa explicação.

De olho

Líderes partidários na Câmara dos Deputados viram com surpresa e ceticismo a desistência do apresentador e empresário Luciano Huck, 46 anos, em disputar a Presidência da República na eleição deste ano. Para os partidos de centro, a saída beneficia as pré-candidaturas do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Novo líder do PRB na Câmara, Celso Russomanno (SP) contou que, mesmo sendo amigo do apresentador, não sabia que ele enterraria de vez a chance de concorrer ao Palácio do Planalto. Russomanno lamentou que a vida de Huck tenha sido “vasculhada” nos últimos dias e disse que é difícil passar o tempo todo tendo de se defender de acusações.

“Não é fácil para a pessoa pública não acostumada a apanhar publicamente manter uma candidatura. Tem de ter estômago”, comentou o líder do PRB. Ele acredita que mesmo fora da campanha, Huck terá um papel relevante como cabo eleitoral. “Ele será um bom cabo eleitoral para quem for candidato. Quem o trouxer terá grande força”, previu. O PRB vem mantendo conversas com Alckmin e Maia e deve decidir só na véspera das convenções quem vai apoiar.

O líder do PR, José Rocha (BA), acredita que sem Luciano Huck no páreo, ganha força uma candidatura de centro. Para o deputado baiano, a tendência é PSDB e DEM se juntarem em algum momento das negociações numa chapa encabeçada por Alckmin, mas com a vaga de vice em aberto.

Rocha avalia que Huck não aguentou os “bombardeios” da imprensa e que isso certamente lhe causaram problemas familiares. Para Rocha, o apresentador também teria dificuldades em se alinhar com o Parlamento se fosse eleito. “O perfil dele no Planalto não seria o mesmo perfil dos eleitos no Congresso”, comentou.

Já o líder do PT, deputado federal Paulo Pimenta (RS), considera que a nova desistência do apresentador não passa de um jogo-de-cena. “Enquanto eles não tiverem um candidato competitivo, o nome de Luciano Huck continuará sendo uma possibilidade”, criticou.

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