Ícone do site Jornal O Sul

Um piloto desafiou o vento para conseguir pousar o maior avião do mundo na Alemanha

Piloto pousa o Airbus A380 em meio a fortes ventos. (Foto: Reprodução)

Um piloto precisou enfrentar fortes ventos enquanto pousava um avião no aeroporto de Düsseldorf, na Alemanha. O mais impressionante é que essa não é uma aeronave qualquer, mas um Airbus A380, considerado o maior avião comercial do mundo, levando 500 passageiros.

Com habilidade, o piloto pousou a enorme aeronave que, por instantes, pareceu derrapar na pista. O vento balançou o aparelho numa sequência impressionante capturada em vídeo por Martin Bogdan que filma pousos e decolagens em aeroportos da Europa.

A  sequência impressionante ocorreu na quinta-feira (5), e, segundo um porta-voz da Emirates afirmou ao jornal Metro, o voo era o EK 55. “A aeronave pousou em segurança sob fortes condições de ventos cruzados e, segundo ele, os passageiros e os tripulantes não correram nenhum risco”, declarou o porta-voz.

A façanha impressionou Bogdan. “Este pouso deve ser um dos mais aterrorizantes que nós já vimos”, frisou o autor das imagens. Rajadas repentinas de ar desestabilizaram a aeronave, que já se aproximava da pista, até então em aparente normalidade de condições de tempo”, contou.

O Norte da Alemanha tem sofrido com fortes ventos em decorrência da passagem da tempestade Xavier, que deixou ao menos sete mortos no país. O serviço de trens foi interrompido em várias cidades.

No vídeo, é possível notar a habilidade dos pilotos em corrigir a direção da aeronave. Bogdan classificou o pouso como “extremamente difícil e extraordinário”. No começo, ele achou que fosse apenas mais um — foi só quando o avião tocou a pista que o cinegrafista se surpreendeu.

“Eu nunca tinha visto uma reação tremenda de um avião após tocar a pista. Você pode ver que os pilotos tentam realinhar com a pista com o leme da cauda e, com sorte, deu certo. Este vídeo mostra as incríveis habilidades dos pilotos”, relatou o autor das imagens.

Vento cruzado

O vento cruzado, um fenômeno natural e que afeta vários tipos de veículos na terra, mar ou no ar. Mas no caso da aviação ele tem um fator complicador: se durante um voo de cruzeiro basta ao piloto compensar a aeronave para seguir sua rota na aproximação para pouso em algum momento ele terá que alinhar o avião com a pista. Eis aí uma das técnicas mais exigentes com a tripulação, o “crosswind landing“, ou pouso com vento de través.

Nem sempre é possível contar com um vento frontal para o pouso. Para isso, é preciso que a direção do vento esteja bem próxima do alinhamento da pista. Quando isso ocorre basta à torre operar pela cabeceira contrária à direção do vento. Mas e quando o vento está perpendicular ou diagonal à pista? Dá-se aí a aproximação com vento cruzado.

A técnica usada nesses casos chama-se “caranguejo” pela semelhança que o comportamento do avião tem com o crustáceo. Na aviação, existem dois termos importantes em relação à direção que um avião toma. Uma delas é o “heading” (direção para onde o bico do avião aponta) e “track” que é a rota que ele está percorrendo. Numa situação de vento neutro ou contrário os dois são iguais, ou seja, o avião aponta para onde está indo. Já no “crosswind” o bico aponta para uma direção, mas o avião segue outra.

O toque com parte das rodas é a técnica de caranguejar, que exige que o piloto aponte ligeiramente para o lado de onde o vento vem a fim de anular parte do efeito de desvio do eixo da pista que ele causará. Apesar disso, uma combinação de comandos faz com que a aeronave siga alinhada com a pista. Até aí nada tão complexo, mas é na hora de tocar a pista que vem a perícia e a técnica da tripulação.

É preciso saber a hora certa de corrigir o “heading” para que o avião esteja alinhado quando todo o trem de pouso toque a pista. Por isso, dependendo do caso, essa rotação ocorre um pouco antes do pouso ou ao tocar as primeiras rodas no chão. Diferentemente de um pouso normal, onde todo o trem principal encosta ao mesmo tempo no asfalto, no pouso com vento de través ele pode tocar uma das rodas e depois a outra, à medida que vai girando o eixo do avião. Embora mais desafiadora, essa aproximação é comum na aviação. No entanto, ela tem um índice de arremetidas mais alto devido a sua complexidade. Por essa razão, os pilotos sabem que esse tipo de pouso significa estar sempre pronto para uma provável arremetida caso as condições não sejam seguras. Portanto, não estranhe se um dia desses você estiver olhando pela janela e enxergando a pista – pode ser um pouso de través e não um erro da tripulação.

Sair da versão mobile