A deputada trabalhista Tracy Brabin virou alvo de pesadas críticas por ter mostrado um ombro durante discurso na última segunda-feira (3) na Câmara dos Comuns, no Parlamento britânico, em Londres.
A polêmica esquentou inicialmente no Twitter. Muitos disseram que Tracy não estava vestida de “forma adequada” e “não profissional” para a função pública. Alguns chegaram a classificar a deputada como “slapper” (mulher sem moral) e “escória”. Houve quem dissesse suspeitar que Tracy estivesse “embriagada”.
“Sem classe”, escreveu um crítico.
“Tenha respeito pelo posto que você ocupa na Câmara, mulher!”, protestou uma mulher no Twitter.
“Não ligue, você está fazendo um bom trabalho, e isto é o mais importante”, defendeu outra pessoa na rede.
“Quem podia imaginar que as pessoas ficariam tão sensíveis por causa de um ombro?”, rebateu a deputada na rede social, recebendo forte apoio de internautas.
“Não deveria causar controvérsia uma mulher mostrar um ombro. É um ataque imaturo e desnecessário”, opinou uma defensora.
Eleita em 2016 pela região de Batley e Spen, no Norte da Inglaterra, Tracy é uma ex-estrela de novela no Reino Unido. Ela chegou ao Parlamento após o assassinato da sua antecessora, Jo Cox.
“Esse é o nosso machismo diário. Não vou ser silenciada”, afirmou a trabalhista à ITV. Pesquisa com telespectadores do programa “This Morning” apontou que, para 78%, Tracy estava vestida de “forma inapropriada”.
Não existe um código oficial de vestimenta para o Parlamento. Recomenda-se apenas que os deputados “adotem peças que seriam usadas em qualquer reunião formal de negócios”.
Um fenômeno curioso ocorreu após a polêmica nas redes e nas TVs locais: o vestido de 35 libras (cerca de R$ 195) usado pela deputada ficou esgotado na rede de lojas ASOS.
No Brasil
Em setembro do ano passado, uma sessão ordinária na Assembleia Legislativa do Rio terminou com bate-boca e provocações, principalmente por parte de deputados de PSL e PSOL. Na ocasião, uma colocação final de Alexandre Knoploch (PSL) criou polêmica e discussão entre parlamentares.
Knoploch disse que abordaria um tema que “ninguém tem coragem de falar”, e comparou as roupas de deputadas da Casa aos figurinos de novelas adolescentes como Chiquititas e Carrossel, do SBT. Sobrou até para a Escolinha do Professor Raimundo. Parlamentares do PSOL acreditam que ele se referia especialmente à Dani Monteiro (PSOL), que vestia saia quadriculada e meias amarelas no plenário.
“É uma honra vê-la mais uma vez sentada nesta cadeira da presidência (da Alerj) vestindo este lindo traje amarelo. Muito me orgulha ter uma presidente à altura, presidente”, disse Amorim, no início de sua fala, elogiando Tia Ju (PRB), que presidia a sessão naquele momento.
Após seu discurso, inflamado contra seus rivais políticos, Knoploch, então, pediu a palavra.
“Eu gostaria só de citar um outro tema, breve”, pediu o deputado.
“É um tema que ninguém tem coragem de falar, mas que quebra o decoro parlamentar. Estão fazendo isso aqui de Escolinha do Professor Raimundo. Inclusive, denegrindo a imagem das mulheres. Existem formas de estar neste parlamento, e de vestimenta. Isto aqui não é Chiquititas, não é Carrossel (…). Temos que levar isso aqui com seriedade. Esta bagunça que eles fazem achando que estão nestes atos que estão aí pelas ruas, esse circo de horrores, essas balbúrdias cheias de maconheiros não pode ser trazido aqui para dentro (…) O parlamento merece respeito, e assim os parlamentares devem ser vistos e vestidos nesta casa”, disse Knoploch.
