A beca, o capelo e a faixa lilás – usada por formandos do curso de teologia – simbolizaram a realização de um sonho para Amélia Diniz. Aos 86 anos, a estudante celebrou sua segunda graduação, na quarta-feira (21), durante a colação de grau no Seminário Maior Arquidiocesano de Brasília (DF). As informações são do portal de notícias G1.
Filosofia
Na plateia, filhos, netos, noras e uma irmã aplaudiram e se emocionaram com a realização da, agora, teóloga. A aposentada já havia se formado em filosofia 64 anos atrás, mas o novo diploma foi um desafio. A decisão de prestar vestibular veio após a morte do marido.
“Quando coloquei aquela roupa, me senti realizada e muito emocionada. Meus filhos tiraram retrato comigo, além dos netos, e ainda fui muito aclamada.”
Jantar aos formandos
Ao discursar, o reitor da instituição, padre Eduardo Vinícius de Lima Peters, prestou homenagem à estudante. Antes da solenidade, o bispo auxiliar de Brasília, Dom Marcony Ferreira, conduziu uma missa e, ao fim da cerimônia, um jantar foi oferecido aos formandos.
Para a família de Amélia, a data mereceu ser comemorada. “Foi tão emocionante, um exemplo para todos, disse Renata Diz – uma das 14 netas.
“Tem tanta gente que chega aos 60 anos e acha que a vida acabou. Minha vó, aos 86, acabou de concluir a segunda faculdade e começará a pós-graduação”, afirmou
Pós-graduação
Antes mesmo de pegar o diploma, Amélia se matriculou em uma pós-graduação noturna. Ela voltará às salas de aula pelo menos duas vezes na semana.
“Quero aproveitar a vida da melhor maneira que eu puder”, disse.
A recém-formada lembra que fez a prova do vestibular confiante. “Esperava que poderia passar”. Amélia também contou com uma forcinha dos céus. A aposentada confessa que ao saber da aprovação, fez uma novena à Nossa Senhora e, na promessa, pediu saúde e disposição para concluir os quatro anos de estudo.
Trabalho de Conclusão
Ela foi aprovada com a nota 9,5 no Trabalho de Conclusão do Curso, o “temido TCC”, brinca. O tema escolhido para o artigo foi a relação entre o Papa Francisco e a Igreja Católica.
Amélia afirma ainda que no início do TCC escreveu grande parte do texto à mão, em folhas de papel. Mas mesmo sem dominar o uso do computador acabou optando por trocar o meio analógico pela tecnologia.
“Comecei escrevendo tudo à mão, mas errava muito e rasgava a folha. No computador, tinha a vantagem de ir escrevendo e consertando, mas sou péssima em digitação”, declarou.
