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Uma eventual candidatura do ministro da Fazenda Henrique Meirelles à Presidência da República pode trazer riscos às reformas do governo

Titular da pasta tem oscilado no que se refere a admitir a intenção de concorrer em 2018 . (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Uma eventual candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, à Presidência da República tem sido vista com ressalvas por alguns líderes de partidos na Câmara dos Deputados. Tanto aliados do governo quanto da oposição dizem que ainda é cedo para falar em nomes e que uma possível pré-candidatura do ministro poderia interferir no andamento de reformas, como a da Previdência.

Entre economistas, a visão é que o maior risco para as reformas é a preocupação do Congresso Nacional com o custo político da votação de medidas impopulares, independentemente de quem estiver na corrida para o Palácio do Planalto no pleito de 2018 – até agora, os possíveis nomes incluem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva e o prefeito paulistano João Doria (PSDB).

Meirelles tem oscilado no que se refere a admitir que pretende disputar a chefia do Executivo federal. Em entrevista à imprensa na semana, ele chegou a confirmar essa intenção, mas logo voltou a negar que esteja no páreo: “Não concorrerei ao cargo sob hipótese alguma. Não tomo decisões de forma precipitada e essa tem sido uma prática na minha carreira, até porque isso é uma perda de tempo”.

A aprovação de reformas como a da Previdência é vista como fundamental por boa parte dos economistas. Na avaliação de José Julio Senna, ex-diretor do Banco Central e chefe do Centro de Estudos Monetários da FGV, os deputados estarão mais preocupados com as próprias candidaturas, seja agora, seja em 2018, e esse seria o principal risco, não a declaração de Meirelles. Ele acrescenta que vê como urgente o avanço da medida.

“A reforma deve vir em ondas, não com uma bala de prata com abrangência sobre todas as mudanças. Então, quanto antes começar essa caminhada, melhor. A economia sem as reformas está muito vulnerável”, afirma o economista.

Já Luiz Roberto Cunha, professor de economia da PUCRJ e um dos intelectuais ligados ao PSDB, acredita que a fala do ministro cria “ruído” em um cenário já conturbado por um cenário político difícil: “Se a declaração for interpretada como uma vontade efetiva de concorrer, pode criar um prejuízo para a negociação das reformas. Nesse quadro muito fragmentado de candidaturas, não é hora de mais gente ficar criando ruído”.

Apesar de admitir o risco de turbulência, Cunha não acredita que Meirelles, em uma eventual campanha, deixará o lado candidato interferir na defesa das reformas. Principalmente porque considera que o ministro sabe que, sem uma sinalização positiva sobre as medidas, será mais difícil para qualquer um tocar o país a partir de 2019: “Mesmo candidato, ele não poderia deixar de trabalhar pelas reformas. Ele só teria chance de ser candidato mais à frente com a economia se recuperando.”

Políticos

No partido do ministro, o PSD, a perspectiva é otimista. O líder da sigla na Câmara dos Deputados, Marcos Montes (MG), reconheceu que ainda é cedo para colocar nomes, mas disse que a bancada da legenda tem reivindicado a candidatura de Meirelles: “Acho que não atrapalha as reformas. Pelo contrário, o risco é exatamente pelo momento que nós estamos, não por uma eventual candidatura. Ele é muito competente, não tem ainda aquele verniz político mas o nome dele está colocado, até um pouco cedo. Se vai ser uma candidatura que terá competitividade, só o tempo dirá.

Já pelo lado da oposição, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), líder do partido, disse acreditar que a reforma da Previdência já encontra dificuldades para avançar. Mas ele reconheceu que uma provável candidatura do ministro da Fazenda pode ajudar a compôr forças entre aqueles que se opõem ao próprio ministro e às reformas.

“A reforma da Previdência já está com dificuldade de avançar pela impopularidade dela, pela forma como ela foi elaborada, sem nenhuma interação e discussão com a população. Meirelles faz essas afirmações no sentido de que vai votar só para agradar o mercado. Agora, evidentemente que, na medida em que aparece como candidato, ele acaba aglutinando as forças contrárias a ele e às sua propostas, o que não ajuda o camarada a ser candidato”, avaliou.

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