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Uma fórmula matemática ajudou a Operação Lava-Jato a identificar propina no apartamento 121 utilizado por Lula

Imóvel em São Bernardo do Campo (SP) teria sido adquirido em nome de um “laranja”. (Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula)

A fórmula matemática associada aos registros “12.422” e “Prédio IL”, alusivos ao prédio do Instituto Lula, encontrada na contabilidade da conta-corrente do setor de propinas da Odebrecht com o PT – a chamada “Planilha Italiano” – ajudou peritos e técnicos da Operação Lava-Jato, em Curitiba (PR), a demonstrarem à Justiça que a compra do apartamento número 121 do edifício Hill House, em São Bernardo do Campo (SP), vizinho ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, supostamente em nome de um “laranja”, teria envolvido dinheiro ilícito da empreiteira.

A equação ((3* 1057)+ 8217 + 1034) = 12.422 estava nos arquivos cifrados do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht (nome “oficial” do departamento de subornos), que fechou acordos de delação e leniência com a força-tarefa em janeiro deste ano. Mais precisamente, constava no mesmo registro de valores do “Amigo”, codinome de líder petista.

O ex-presidente é réu em processo que deve ser julgado ainda este ano pelo juiz federal Sérgio Moro, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do 121 do Hill House e do terreno do Instituto Lula. Supostamente comprados em nome de laranjas, os imóveis ocultariam repasse de R$ 12,4 milhões de propinas da Odebrecht.

No dia 12 de junho, Lula foi condenado pelo juiz federal SérgioMoro – responsável pelos processos da Lava-Jato na primeira instância – a nove anos e seis meses de prisão no âmbito do processo envolvendo o apartamento triplex do Guarujá (SP), que estaria associado à propina da empreiteira OAS.

A fórmula estava em um dos itens da conta “Italiano”, que chegou a ter R$ 300 milhões à disposição de Lula e do PT. O próprio “Italiano”, o ex-ministro Antonio Palocci, e o empresário e delator Marcelo Odebrecht, confessaram o acerto da “conta corrente”.

Elucidação

Decifrar a fórmula foi fundamental para a Lava-Jato relacionar o apartamento ocupado por Lula à corrupção. Ela registra, segundo a denúncia, os gastos da empreiteira com as compras e os custos de operação.

Oculta na versão impressa da planilha, a equação estava gravada no arquivo original em programa de computador. Ela é composta por três vetores, que somados chegam aos “12.422”, que seriam equivalentes aos R$ 12,4 milhões. Os peritos isolaram as partes para mostrar a conexão dos dois negócios, chamados por Palocci de “presentes” a Lula.

O material, contido em laudos e relatórios de análises da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita, serviu para procuradores da Lava Jato montarem um diagrama com o caminho do dinheiro, relacionado aos três componentes da fórmula matemática, na denúncia do caso “Prédio IL”.

Em declarações à imprensa, a defesa de Luiz Inácio Lula da Silva tem repudiado as acusações. De acordo com os seus advogados, o ex-presidente não cometeu quaisquer irregularidades.

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