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“Uma nova pandemia vai acontecer, a questão é quando”, diz ex-ministra da Saúde, que lança livro sobre crise da Covid-19

Ex-ministra defende que a preparação para novas emergências sanitárias não deve ocorrer apenas durante períodos de crise. (Foto: Pixabay)

A ex-ministra da Saúde e médica sanitarista Nísia Trindade afirmou que uma nova pandemia global é inevitável e que o principal desafio da comunidade internacional é estar preparada para responder de forma mais rápida e coordenada do que ocorreu durante a crise provocada pela Covid-19. A declaração foi feita durante o lançamento de seu livro O vírus da desigualdade: memórias da pandemia, obra em que relata os bastidores da gestão da emergência sanitária e defende o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde e da cooperação internacional.

“Uma nova pandemia vai acontecer. A questão é quando”, afirmou Nísia durante o evento de lançamento da publicação. Segundo ela, o avanço das mudanças climáticas, a degradação ambiental, o aumento da circulação internacional de pessoas e mercadorias e a maior interação entre humanos e animais ampliam o risco de surgimento de novos agentes infecciosos capazes de provocar crises sanitárias em escala global.

Ao comentar as lições deixadas pela Covid-19, a ex-ministra destacou que os países precisam investir de forma permanente em vigilância epidemiológica, pesquisa científica e produção nacional de vacinas e medicamentos. Para ela, a experiência vivida entre 2020 e 2023 demonstrou que sistemas públicos de saúde estruturados são fundamentais para enfrentar situações de emergência e reduzir o impacto social e econômico de futuras epidemias.

No livro, Nísia reúne memórias sobre o período em que comandou o Ministério da Saúde, além de reflexões sobre a condução da política sanitária brasileira e os desafios enfrentados após o fim da fase mais crítica da pandemia. A obra também aborda a reconstrução de programas de vacinação, o fortalecimento da atenção básica e as dificuldades para recompor estruturas administrativas afetadas nos anos anteriores.

A ex-ministra defende que a preparação para novas emergências sanitárias não deve ocorrer apenas durante períodos de crise. Segundo ela, é necessário manter investimentos contínuos em laboratórios, redes de vigilância, formação de profissionais de saúde e capacidade de resposta rápida diante de surtos de doenças infecciosas. Também ressalta a importância da cooperação entre governos, universidades e organismos internacionais para acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos.

Nísia ainda afirma que a pandemia de Covid-19 evidenciou desigualdades no acesso à saúde tanto entre países quanto dentro das próprias sociedades. De acordo com a ex-ministra, populações mais vulneráveis foram desproporcionalmente afetadas pelos efeitos da doença, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades e à ampliação do acesso aos serviços de saúde.

Médica e pesquisadora, Nísia Trindade presidiu a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) antes de assumir o comando do Ministério da Saúde no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante sua gestão, conduziu ações de recuperação das coberturas vacinais, reorganização de programas estratégicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e enfrentamento de emergências sanitárias, como surtos de dengue e outras doenças transmitidas por arbovírus.

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