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Uma operação da Polícia Civil desarticulou um amplo esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas no Rio Grande do Sul

Líderes da organização comandavam rede de dentro de presídios. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Após cinco meses de investigação, a Polícia Civil gaúcha deflagrou na manhã dessa sexta-feira a operação “Borgata”, tendo como alvo a rede de lavagem de dinheiro mantida por uma organização criminosa que atua em regiões como a Região Metropolitana, Serra e os vales do Sinos e do Paranhana. Foram efetuadas buscas em Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo e Campo Bom.

O saldo: quatro pessoas presas, cerca de R$ 30 mil reais em espécie apreendidos e o bloqueio de outros R$ 4,7 milhões de reais em bens. Os líderes são detentos de cadeias gaúchas, considerados de alta periculosidade e que possuem antecedentes por crimes como tráfico de drogas, latrocínio, roubo, homicídio e porte ilegal de arma-de-fogo.

De acordo com o titular da DRLD (Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro, Adriano Nonnenmacher, o grupo utilizam uma rede de “laranjas” (incluindo familiares, parentes e amigos com a ficha limpa) para ocultar bens adquiridos com dinheiro oriundo da venda de drogas no Rio Grande do Sul. O produto também era traficado para outros países.

A mesma organização criminosa realizou a maior parte das operações logísticas de entrada de cocaína no Estado na última década, em volumes que atingiram várias toneladas por ano. Conforme o Denarc (Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico), a rede era complexa e adquiriu bens de alto padrão ao longo dos últimos anos.

O delegado Vladimir Urach, diretor-geral do Denarc, estima em cerca de R$ 500 mil o faturamento semanal da quadrilha, conectada a rotas de drogas trazidas da Colômbia e Peru, por meio do Paraguai e do Estado do Amazonas. “Trata-se de um importante passo no combate à lavagem de dinheiro do narcotráfico realizado pela Polícia Civil gaúcha”, frisou.

A força-tarefa contou, nessa sexta-feira, com a participação direta de 175 agentes da Polícia Civil, em cumprimento a 87 ordens judiciais: cinco prisões temporárias, 23 mandados de busca e apreensão, sequestro de cinco imóveis de luxo (Novo Hamburgo, Campo Bom e Lajeado), bloqueio de sete contas bancárias e 47 quebras de sigilos bancário, fiscal e financeiro.

Crimes rurais

Já em Bagé, a Decrab (Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato) deflagrou a terceira fase da operação “Grande Negócio”, com foco no combate à lavagem de dinheiro no âmbito de crimes rurais. A ação resultou no cumprimento de 12 ordens judiciais, sendo sete de bloqueio de bens patrimoniais de suspeitos e cinco de mandados de busca e apreensão.

Ao todo, foram bloqueados mais de 10 milhões em patrimônio de investigados. As diligências foram realizadas nos municípios de Harmonia, Lajeado, Santa Cruz do Sul e Santa Clara do Sul, onde um frigorífico teve as suas atividades suspensas. Foram 15 meses de investigação, durante os quais a Polícia Civil identificou transações fictícias de compra e venda de bovinos, tendo a empresa como fechada.

As movimentações eram declaradas no imposto de renda dos investigados e do frigorífico. Com isso, a empresa também era beneficiada financeiramente com as transações falsas, com ganhos tributários ilegais e distribuição de prolabore sem anotação contábil. Foram apreendidos cerca de R$ 1 milhão em transações falsas que motivaram o apelido informal de “Esquema do Gado-Fantasma”.

(Marcello Campos)

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