Estudo publicado pela revista Social Science & Medicine, a maioria das mulheres sente alívio, e não arrependimento, após a realização de um aborto. Segundo a CNN até ao momento este é um dos maiores estudos sobre as emoções das mulheres após um aborto. A pesquisa, publicada recentemente, mostra que a maioria das mulheres não se arrepende da sua escolha.
Os pesquisadores descobriram que, cinco anos após o aborto, apenas 6% expressavam emoções negativas enquanto que 84% teve emoções positivas ou inexistentes em relação à decisão de abortar, mesmo que não se sentissem assim quando tomaram a decisão.
No estudo, mais da metade das mulheres afirmou que a decisão de interromper a gravidez foi ‘muito difícil’ e 27% caracterizou a escolha como ‘um pouco difícil’. Cerca de 46% disseram que não foi uma decisão difícil.
Quase 70% acreditavam que iriam ser estigmatizadas se as pessoas soubessem do aborto.
Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores contaram com a participação de 1000 mulheres, que acompanharam 11 vezes durante um período de cinco anos.
Para a autora principal do artigo, a bióloga Corinne Rocca, a pesquisa desbanca um dos principais argumentos de quem é contrário ao aborto. Segundo ela, é comum que digam que a proibição do aborto protegeria as mulheres do dano emocional que elas sofreriam ao abortar. No entanto, de acordo com o trabalho, não há prova alguma disso – muito pelo contrário, aliás.
Em 2015, inclusive, Rocca havia liderado outra pesquisa, com o mesmo número de participantes e acompanhamento mantido por três anos. O resultado obtido foi o mesmo: 95% das mulheres acreditava ter tomado a decisão acertada.
Vários estados exigem aconselhamento obrigatório sobre o aborto e períodos de espera que incluam informações sobre a resposta emocional negativa ao aborto. Há uma pressão constante de grupos anti-aborto e políticos socialmente conservadores para aprovar duras leis sobre o aborto nos Estados Unidos – buscando, eventualmente, derrubar a decisão histórica Roe vs Wade, que legalizava o aborto.
O novo estudo observa que emoções misturadas, por exemplo, culpa misturada com alívio, são comuns para as mulheres logo após o aborto, mas “tanto as emoções positivas quanto as negativas declinaram nos primeiros dois anos e se estabilizaram depois, e a decisão acertada permaneceu alta e constante”.
