A Udelar (Universidade da República do Uruguai), na capital da nação, Montevidéu, vai ganhar um laboratório especializado para o estudo das propriedades da maconha. A construção da unidade de pesquisa é mais um marco da lei, aprovada em 2013, que regula a produção, comercialização e consumo da erva no país.
“A universidade destinou fundos para que comecem a construção de um laboratório de pesquisas avançadas sobre a cannabis, que ficará no Instituto de Higiene”, anunciou Luis Yarzábal, presidente do comitê científico criado pelo governo uruguaio para monitorar a nova lei. A declaração foi dada ao jornal local El Observador.
Um dos principais focos da iniciativa é justamente o avanço na área da maconha medicinal. De acordo com o periódico, o comitê científico deve entregar, até o final do ano, um relatório sobre os usos medicinais da erva e seus derivados à Junta Nacional de Drogas – órgão responsável pelas políticas relacionadas a entorpecentes.
“O relatório vai fornecer as bases do conhecimento e vamos levantar sugestões de tipos de pesquisa que podem ser desenvolvidas no país”, completou Yarzábal.
O instituto uruguaio de regulamentação e controle da cannabis vai selecionar, em breve, as empresas que ficarão responsáveis por cultivar a maconha que será vendida nas farmácias do país, conforme estipula o plano nacional. Ao todo, 11 companhias se candidataram ao cultivo que vai abastecer as drogarias.
A lei da “marihuana”, aprovada pelo parlamento uruguaio em dezembro de 2013, estabelece categorias da erva para uso recreativo, industrial e medicinal. Entre outros pontos também determina que os consumidores registrados podem adquirir até 10 gramas por semana nas farmácias ao custo de 90 centavos de dólar.
O decreto que legalizou o mercado da maconha no Uruguai foi assinado em maio. Com a nova lei, o Estado foi autorizado a controlar o cultivo e a venda de maconha. Com isso, o país se tornou o único no mundo a legalizar a produção, comercialização e distribuição da droga.
Foram meses de discussão até serem definidas as regras para o mercado de maconha no país. A legislação uruguaia estabeleceu três formas legais para se ter acesso à maconha: a produção doméstica de até seis plantas por casa, se tornar sócio de um clube de cultivo ou comprá-la em farmácias autorizadas. Para usar a erva, os usuários devem escolher uma dessas opções e se inscrever em um cartório correspondente.
Tudo é controlado pelo Instituto de Regulação e Controle da Cannabis. Na época em que ocorreu a legalização, o ex-presidente do Uruguai José Mujica defendeu o direito do país experimentar alternativas para o controle das drogas e que a lei não representa um culto à maconha. O comércio nas farmácias deverá começar em novembro. (AG)
